O presidente argentino Javier Milei e sua vice-presidente, Victoria Villarruel, entraram em rota de colisão. Em meio a uma troca de acusações com a deputada governista Lilia Lemoine, Villarruel declarou estar “genuinamente preocupada” com o estado do presidente e afirmou que Milei sofre de “perseguições imaginárias”, que reproduz tanto na Argentina quanto no exterior.
A declaração ocorreu depois que Milei compartilhou nas redes sociais uma publicação de Lemoine que acusava Villarruel de conspirar contra o governo e de manter alianças ocultas com antigos adversários políticos.
“Tenho genuína preocupação com o estado do presidente. Ele replica insensatezes, invenções e perseguições imaginárias na Argentina e no exterior”, afirmou Villarruel.
A vice também ironizou o compartilhamento feito por Milei.
“Essa loucura galopante foi republicada pelo presidente? Parece que o delírio é contagioso”, escreveu.
Me preocupa profundamente que el presidente de la Nación replique insensateces e inventos. Tengo genuina preocupación por su estado y por las persecuciones imaginarias que replica en Argentina y el exterior.
— Victoria Villarruel (@VickyVillarruel) July 30, 2026
Acusações de conspiração
Na postagem compartilhada por Milei, Lilia Lemoine acusava Villarruel e a deputada Marcela Pagano, ex-integrante do partido governista La Libertad Avanza (LLA), de atuarem nos bastidores contra o presidente.
Segundo Lemoine, as duas teriam se aproximado do peronismo, compartilhariam assessores e teriam participado de uma suposta articulação para abrir um processo de impeachment contra Milei.
A deputada ainda comparou Villarruel e Pagano a “Rússia e Irã”, afirmando que ambas “fingem ser inimigas, mas atuam juntas contra o Ocidente”.
Guerra aberta dentro do governo
O confronto entre Villarruel e Lemoine já vinha se intensificando nas últimas semanas por causa da diferença entre os salários de senadores e deputados argentinos.
Lemoine criticou a presidente do Senado por apoiar reajustes que elevaram os vencimentos dos senadores para cerca de 12 milhões de pesos, enquanto deputados recebem aproximadamente 6 milhões de pesos.
Segundo a deputada, o presidente da Câmara, Martín Menem, manteve uma política de austeridade, enquanto Villarruel teria autorizado aumentos para “agradar à velha política”.
A resposta da vice-presidente foi dura.
Villarruel afirmou que os argentinos precisam “escolher melhor seus deputados” para evitar parlamentares dedicados a “atividades golpistas, campanhas midiáticas e a implorar carinho presidencial”.
Em outro ataque, chamou Lemoine de “cérebro de micróbio” e criticou propostas defendidas pela deputada, como a venda de terras para estrangeiros.
“Kukacruel”
Lemoine respondeu elevando ainda mais o tom da disputa.
Ela passou a se referir à vice-presidente pelo apelido “Kukacruel”, uma junção de “Kuka” — termo usado por apoiadores de Milei para atacar o kirchnerismo — com o sobrenome Villarruel.
A deputada ainda insinuou que a vice estaria politicamente alinhada ao governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, um dos principais nomes da oposição peronista.
Em outra publicação, Lemoine escreveu:
“Temos que montar listas melhores para impedir que kirchneristas disfarçados como Pagano ou você entrem no nosso espaço.”
As declarações evidenciam o aprofundamento da divisão interna no governo de Javier Milei, cuja relação com Victoria Villarruel se deteriorou nos últimos meses e passou a ser marcada por ataques públicos cada vez mais agressivos.