As 55 federações filiadas à UEFA decidiram ameaçar um boicote à Copa do Mundo de 2030 e a outros torneios da Fifa caso a entidade avance com a venda de participação nas competições a investidores privados. A posição, divulgada em comunicado da entidade europeia, pode deixar o Mundial sem seleções como Inglaterra, França, Espanha e Alemanha.
O grupo que tende a comprar os direitos comerciais da competição inclui Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro sênior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou o jornal The Times.
A UEFA afirmou que suas associadas “rejeitam de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir a titularidade da Taça do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados”. O aviso inclui a Copa do Mundo Feminina de 2027, a Copa do Mundo de Clubes de 2029 e os Mundiais de Clubes.
No texto, a entidade sustentou que a Copa do Mundo “não pode ser tratada como um produto de investimento” e a definiu como “um dos maiores legados esportivos do futebol”. A UEFA disse que o torneio foi construído por jogadores, seleções e torcedores e que “nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados”.
As federações europeias condicionaram qualquer participação em torneios da Fifa ao abandono integral da proposta e à apresentação de garantias vinculantes de que a entidade não voltará a abrir sua governança ou suas competições à propriedade privada. “A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá”, declarou a UEFA.
Statement on behalf of UEFA and its 55 National Associations
— UEFA (@UEFA) July 30, 2026
Plano prevê empresa para administrar competições da Fifa
O projeto atribuído à Fifa prevê a criação de uma empresa separada, avaliada em US$ 20 bilhões, cerca de R$ 85 bilhões, para administrar suas competições. Investidores externos ficariam com 20% da companhia, em uma estrutura que permitiria participação nos lucros de publicidade e vendas dos torneios.
A Fifa enviou carta às 211 associações filiadas propondo US$ 40 milhões como apoio ao plano. A BBC informou que as entidades que aderirem poderiam receber uma parcela inicial de US$ 20 milhões a partir de 1º de janeiro de 2027, com recursos provenientes da venda de uma participação minoritária na subsidiária.
A emissora britânica também relatou que Gianni Infantino, presidente da Fifa, não teria informado oito vice-presidentes da entidade sobre a proposta antes de sua divulgação. A Fifa diz que Infantino apresentou a ideia em uma reunião com membros antes da final da Copa do Mundo de 2026, enquanto federações criticaram a falta de consulta e de informações sobre as condições do negócio.
A Federação Inglesa declarou não ter “conhecimento algum dessa proposta” nem detalhes substanciais sobre suas condições. A entidade afirmou estar “profundamente preocupada com a falta de processos e governança para chegar a este ponto”, além dos princípios envolvidos na iniciativa.
Concacaf e Confederação Asiática de Futebol também questionaram o processo. A Concacaf criticou a divulgação de detalhes antes de discussões com órgãos de governança, e a entidade asiática defendeu que eventuais mudanças sejam baseadas em “boa governança, transparência e consulta significativa”.
A Associação Europeia de Clubes, que reúne mais de 850 clubes, disse que a Fifa deveria ter consultado as equipes sobre uma proposta dessa dimensão. A Fifpro pediu que a entidade “reconsidere sua proposta sem mais demora” e alertou que a entrada de capital privado pode afetar o bem-estar dos jogadores, o calendário internacional e a governança do futebol.