A deputada federal Tabata Amaral afirmou que é “esfolada e atacada da mesma forma pelos extremos” ao comentar a crítica de Wagner Moura ao que ele chamou de “fascismo de esquerda”. A parlamentar concordou com a preocupação em torno do radicalismo no debate político e disse que práticas extremistas devem ser condenadas independentemente do campo ideológico de onde partam.
Tabata relatou que recebe ameaças de morte, ameaças de estupro e uma série de xingamentos e afirmou que, diante desse tipo de violência, muitas vezes nem consegue identificar a orientação política dos autores. “Quando eu estou recebendo ameaça de morte, ameaça de estupro, xingamento, eu não consigo saber se a pessoa é de esquerda ou direita”, disse.
“Eu estou num lugar muito específico em que eu sou esfolada e atacada da mesma forma pelos extremos”, acrescentou. Segundo a deputada, sua posição costuma provocar reações porque ela se recusa a tratar abusos e ataques como aceitáveis dependendo de quem os pratica.
A parlamentar citou levantamentos acadêmicos que medem a violência política contra mulheres e afirmou aparecer com frequência entre os principais alvos. “Algumas universidades começaram a fazer levantamentos de quais são as mulheres mais atacadas do país. Tem um da UFRJ e por aí vai. Em todos eles eu figuro. Cinco mais atacadas, 20 mais atacadas”, afirmou.
▶️ AGORA: Tabata Amaral comenta fala de Wagner Moura sobre “fascismo” na esquerda
Após o ator falar em “fascismo vindo da esquerda”, a deputada relatou ser uma das mulheres mais atacadas do país, com ameaças de morte e estupro, e defendeu que extremismo deve ser condenado de… pic.twitter.com/egzjdJbBxF
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Tabata fez questão, porém, de afastar uma equivalência entre PT e PL. “O povo fica bravo, porque com isso eu não tô dizendo que PT e PL são a mesma coisa, nada disso”, declarou. “Eu estou dizendo que extremismo e radicalismo, para mim, é a mesma coisa. Tem que ser condenado do mesmo jeito.”
A discussão começou após Wagner Moura criticar comportamentos de setores da esquerda que, segundo ele, reproduzem uma lógica de patrulhamento e restrição do debate. No trecho exibido antes da resposta de Tabata, o ator fala em “fascismo de esquerda” e critica a ideia de que determinadas pessoas não poderiam defender causas por não pertencerem diretamente aos grupos envolvidos.
Tabata também defendeu que a esquerda dialogue com questionamentos tradicionalmente apresentados pela direita. “A esquerda sempre diz: a gente quer seguridade social, a gente quer cultura, a gente quer educação gratuita, a gente quer tudo isso. A direita faz uma pergunta que eu acho justa, que é: quem vai pagar isso aí? São os contribuintes? A gente vai aumentar os impostos? Essa discussão eu acho muito boa”, afirmou.
Na avaliação da deputada, o debate se deteriora quando argumentos dão lugar a ataques pessoais ou à tentativa de deslegitimar alguém pela identidade, origem ou trajetória profissional. Ao apoiar a crítica ao radicalismo feita por Wagner Moura, Tabata sustentou que divergências políticas não justificam intimidação, violência ou patrulhamento ideológico.