Por Leonardo Sakamoto, no UOL
Mesmo com multimilionária campanha contrária ao fim da escala 6×1 tocada por parte do empresariado e por políticos da direita nos últimos meses, a quantidade de brasileiros a favor da mudança é a mesma de julho de 2025: 69%. E os contrários caíram de 26% para 22%. O dado é da nova pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje. A margem é de dois pontos.
Mesmo com 7 entre cada 10 eleitores apoiando a medida, ela não é tratada como prioridade pelo presidente do Senado Federal, não tendo sido votada na Comissão de Constituição e Justiça, porta de entrada para a análise dos parlamentares.
A proposta de emenda à Constituição foi aprovada, em maio, na Câmara dos Deputados por 461 a 19, no primeiro turno, e 472 a 22, no segundo, puxada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). Na Câmara Alta, vem sendo empurrada com a barriga, para a alegria de lobistas e patrões.
Isso ocorre em um momento em que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) está brigado com o Palácio do Planalto menos por conta da indicação de Jorge Messias ao invés de Rodrigo Pacheco a uma cadeira no STF e mais pelas operações da Polícia Federal contra o Banco Master, que chegou perto do próprio presidente do Senado.
De acordo com a pesquisa Quaest, 53% pretendem descansar e passar mais tempo com a família, caso a medida seja aprovada. Outros 13% dizem que vão buscar trabalho ou fazer hora extra para aumentar a renda, 12 % querem cursos e estudar, 9%, ir mais à igreja e a cerimônias religiosas, 6% vão passear, ir bares, restaurantes e festas e 4%, viajar.
Ao todo, 50% acreditam que vão trabalhar menos horas por semana frente a 45% que apontam que não com a mudança. Como você tem 69% afirmando que a apoiam, quase um quinto da sociedade é favorável à medida mesmo que dela não se beneficie.
Nesta semana, os senadores saem para curtir suas férias sem que o fim da 6×1 tenha avançado. Vão tranquilos para o descanso ou para suas campanhas eleitorais porque sabem que terão garçons, faxineiras, seguranças, vendedoras, atendentes de telemarketing e agricultores que estarão à sua disposição, trabalhando seis dias e 44 horas por semana.
A questão é que, neste ano, dois terços do Senado serão renovados. Ao nadar contra a maré, os atuais senadores terão votos à sua disposição em outubro?