Articuladores da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam usar a proibição de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para ampliar a autoridade política do filho e reduzir a influência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na disputa de 2026. Com informações de Folha de S.Paulo.
Moraes vetou o contato de Flávio com o pai por 90 dias, período que alcança a fase posterior ao primeiro turno da eleição. Aliados do senador avaliam que a restrição ocorreu logo depois de Jair Bolsonaro divulgar uma carta em que afirma confiar no filho e o chama de seu “porta-voz”, o que daria peso à última orientação pública do ex-presidente antes do novo bloqueio de comunicação.
A equipe de Flávio tenta reverter a decisão e aposta em um pedido da OAB ao Supremo. O veto às visitas ocorreu após o senador divulgar a carta em transmissão nas redes sociais no sábado (11), episódio que Moraes classificou como violação das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.
A disputa interna no bolsonarismo ocorre em meio a sinais negativos para o senador nas pesquisas. No primeiro levantamento Genial/Quaest após Michelle publicar um vídeo em que disse ter sido maltratada por Flávio, Lula (PT) apareceu com 45% contra 37% do senador em uma simulação de segundo turno; a rejeição de Flávio chegou a 57%, a maior entre os pré-candidatos testados.
Carta e visitas expõem disputa por comando político
O monitoramento da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro feito pela Polícia Militar registra que Flávio esteve com o pai ao menos 26 vezes entre 27 de março e 17 de junho. O senador tinha autorização para visitá-lo em dias específicos, tanto como filho quanto como advogado do ex-presidente.
Aliados de Flávio dizem que a carta, somada à proibição de visitas, permite ao senador conduzir decisões da campanha sem buscar aval constante de Jair Bolsonaro. O grupo afirma que palanques estaduais, alianças nacionais e pontos do programa de governo já foram definidos, o que reduziria o impacto da ausência do ex-presidente nas articulações.
A leitura do entorno do senador é que o isolamento de Jair Bolsonaro também afasta Michelle da disputa por influência. Embora a ex-primeira-dama ainda tenha acesso ao ex-presidente, aliados de Flávio afirmam que ela não recebeu autorização para falar politicamente em nome dele, ao contrário do senador.
Interlocutores de Michelle avaliam que ela já expôs suas posições, estratégias e apoios para 2026 e não pretende se envolver mais diretamente na disputa nacional. Após a saída dela do PL Mulher, integrantes de sua equipe demitida criaram o perfil “Imparáveis MB” no Instagram para divulgar novidades do movimento ligado à ex-primeira-dama.
Em participação no Flow Podcast nesta quarta-feira (15), Flávio disse que não mantém relação com Michelle e afirmou que não esperava o vídeo com críticas. “Com toda a franqueza, hoje em dia, eu não tenho relação com ela [Michelle]. Ainda mais agora que eu estou proibido de falar com meu pai. Eu ia lá na casa dele de vez em quando”, afirmou o senador, acrescentando que está disposto a dialogar e que “precisa de todo mundo”.