O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), iniciou uma rodada de conversas com líderes partidários para preparar a resposta da Casa à decisão do ministro Flávio Dino sobre emendas parlamentares. Integrantes de PT e PSOL, porém, afirmam que não participaram das articulações. Com informações do Globo.
Motta não convocou uma reunião formal de todos os líderes. As tratativas têm ocorrido individualmente, por telefone e em encontros presenciais, com a participação de setores técnicos da Câmara responsáveis pela tramitação e execução das emendas.
O presidente da Casa sustenta que os repasses obedeceram à legislação e que a Câmara conseguirá comprovar ao Supremo a transparência dos procedimentos. “Nós temos a convicção de que a Câmara está cumprindo a lei”, afirmou.
Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto e de R$ 6,1 milhões do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. O ministro também deu dez dias para Motta apresentar, de forma organizada e individualizada, os documentos relativos às emendas investigadas.
A Polícia Federal afirma ter identificado uma estrutura informal que permitia a pessoas sem mandato influenciar a destinação de recursos do Orçamento. No caso de Valdemar, a investigação atribui ao presidente do PL o controle sobre 21 emendas formalmente vinculadas a deputados.
Motta já havia criticado o bloqueio e expressado sua defesa aos servidores da Câmara. O novo componente é a preparação da resposta institucional sem a participação, segundo seus dirigentes, de PT e PSOL, o que amplia o atrito político em torno das emendas.