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Prefeitura de SP pagou obras em terreno municipal onde ex-assessor construiu casa

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Prefeitura de SP pagou obras em terreno municipal onde ex-assessor construiu casa

A Prefeitura de São Paulo custeou limpeza, terraplanagem e cercamento de um terreno municipal na zona leste que passou a abrigar a casa de João Alexandre da Silva Filho, ex-assessor do então vereador Gilson Barreto (MDB). A área fica na rua Julio Cesar Moreira, perto da avenida Sapopemba, e a ocupação particular motivou uma denúncia formalizada à administração municipal no ano passado.

Gilson Barreto destinou uma emenda de R$ 170 mil para construir um “salão multiuso” de 100 metros quadrados no local, que até 2019 era um terreno baldio de 312 metros quadrados. O serviço incluiu a retirada de entulho, a limpeza da vegetação e o nivelamento de toda a área pública.

Em outro contrato, a Subprefeitura de São Mateus solicitou a construção de um muro em torno do terreno, sob a justificativa de evitar invasões. A prefeitura desembolsou R$ 38 mil pelo cercamento quando Roberto Bernal, então genro de Barreto, comandava a subprefeitura.

Imagens históricas do Google Maps indicam que o terreno já estava cercado e tinha o salão construído em março de 2021. Um ano depois, os registros mostram uma casa erguida no mesmo lote, com material semelhante ao usado na primeira construção.

Casa passou a ter numeração própria e endereço informado à prefeitura

Em abril de 2024, o terreno aparecia dividido entre o salão e a residência, separados por arame farpado. A casa recebeu numeração própria, 76, e João Alexandre declarou à prefeitura, em documento de agosto de 2023, que morava nesse endereço.

João Alexandre ocupou o cargo de assessor de Barreto na Câmara Municipal e continuou a representar o vereador em eventos comunitários após deixar formalmente a função. Ele também preside a Esperança Sociedade de Educação e Inclusão Social, a ESEIS, entidade que mantém contratos para gerir creches municipais.

A ONG recebeu R$ 11,6 milhões da prefeitura no ano passado e ampliou seus contratos durante a gestão de Ricardo Nunes (MDB). A ESEIS funciona no salão construído no terreno por meio de autorização anual da Subprefeitura de São Mateus, condicionada à realização de eventos para a comunidade.

Em 2025, Nunes sancionou uma lei que incluiu a ESEIS entre as entidades que podem obter concessão de terrenos públicos por 40 anos. A associação protocolou pedido para permanecer na área até 2066, enquanto a Subprefeitura de São Mateus afirmou, na sexta-feira (24), que fará fiscalização e poderá adotar medidas, inclusive reintegração de posse, se encontrar irregularidades.

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