A defesa do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) apresentou nesta terça-feira (28) novos elementos ao Supremo Tribunal Federal (STF) em uma notícia-crime contra o presidente Lula. Os advogados afirmam que o petista teria incitado violência política ao falar sobre “traidores da pátria” e mencionar enforcamento em discursos recentes.
O pedido solicita que o STF investigue Lula por supostamente incentivar apoiadores a cometer homicídio contra Flávio. Para os advogados, as referências do presidente a integrantes da família Bolsonaro e à punição de traidores configurariam uma ameaça dirigida ao senador.
Na convenção do PDT que confirmou apoio à candidatura de Lula à reeleição, o presidente declarou que o país não poderia permitir que “o negacionismo” e “o fascismo” voltassem a governar. Em seguida, afirmou: “Nesse país antigamente, traidor era enforcado. Porque trair a pátria é uma coisa muito grave”.
Lula relacionou os “traidores” a pessoas que, em sua avaliação, foram aos Estados Unidos pedir punições ao Brasil e novas tarifas. O presidente atribuiu essa articulação à família Bolsonaro e disse que o país enfrentaria seus adversários eleitorais “em nome da defesa da democracia desse país”.
🚨URGENTE – Lula chama Eduardo e Flávio de “vendilhões da pátria” e diz que por muito menos Joaquim Silvério foi enforcado
“Por menos que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da Pátria?”
Ameaçou na caruda.
Ta puto. pic.twitter.com/E45pUosLYe
— Alexandre🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷 (@Alexand59517985) June 2, 2026
Defesa aponta repetição de discurso em manifestação ao STF
Na manifestação, os advogados sustentam que a fala não representou uma metáfora histórica ou uma expressão isolada do debate político. “Traidores devem ser enforcados; o senador Flávio Bolsonaro seria (falsamente) um traidor da pátria; logo, ao noticiante caberia o enforcamento”, diz o documento.
A defesa afirmou que Lula “não incorre em lapsos retóricos isolados”, mas usaria “deliberada e sistematicamente” a incitação à violência política para buscar vantagem eleitoral. Os advogados também alegam que essa conduta naturalizaria a ideia de morte do adversário.
A menção histórica feita por Lula contém um erro: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi enforcado em 1792 por sua participação na Inconfidência Mineira. Joaquim Silvério dos Reis, que delatou o movimento à Coroa portuguesa, recebeu recompensa e se transferiu para São Luís, onde se tornou chefe de milícia.
No mesmo discurso, Lula convidou representantes estrangeiros a acompanhar a eleição brasileira e citou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. “Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário que venha, que monte um comitê, porque a gente vai derrotar todos”, afirmou.