O chanceler argentino Pablo Quirno afirmou nesta quarta-feira (28) que o governo de Javier Milei não pretende romper relações com o Brasil, apesar da crise diplomática aberta após os ataques do presidente argentino a Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também declarou que Milei apoia a família Bolsonaro.
Em entrevista à rádio Mitre, Quirno disse que Buenos Aires não levará o conflito para o campo institucional. “De forma alguma”, respondeu ao ser questionado sobre um eventual rompimento, acrescentando que “não há nenhuma chance” de a Argentina encerrar as relações com Brasília.
O chanceler atribuiu o episódio às diferenças políticas e ideológicas entre Milei e Lula. “Enxergamos o mundo de maneiras completamente diferentes”, afirmou, ao citar uma sequência de atritos entre os dois governos.
A crise começou no fim de semana, quando Milei criticou e insultou Lula durante uma convenção do PL em São Paulo que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Após o discurso, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas.
Diplomatas brasileiros não receberam sinal de que a diplomacia argentina fará um pedido formal de desculpas pelas declarações de Milei. Ainda assim, integrantes do governo esperam que Bitelli retorne à capital argentina após a etapa de consultas em Brasília.
Bitelli pode se reunir ainda nesta quarta-feira (28) com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O chanceler decidirá se o embaixador voltará imediatamente a Buenos Aires ou se permanecerá no Brasil diante do quadro diplomático entre os dois países.
Por enquanto, Mauro Vieira e Pablo Quirno não têm conversa prevista. Diplomatas brasileiros também avaliam que Milei agravou a situação ao republicar em suas redes sociais mensagens contrárias a Lula depois do ato do PL.
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a postura de Milei como “lamentável” e disse que o presidente argentino presta “um desserviço ao seu próprio país” ao interferir de forma “absolutamente grosseira” em assuntos internos do Brasil. Alckmin afirmou que a crise política não deve interromper a integração econômica no Mercosul.