O PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a retirada de um vídeo de inteligência artificial publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), no qual ele pilota um caça militar ao lado do presidente argentino Javier Milei. A sigla sustenta que a peça configura “propaganda antecipada e uso de deep fake para favorecer a pré-candidatura”.
Na representação, o partido pede que o tribunal torne o conteúdo indisponível imediatamente, aplique multa de R$ 90 mil a Flávio Bolsonaro e determine que ele não publique materiais semelhantes.
O vídeo questionado compara o PT à facção criminosa Comando Vermelho e utiliza imagens de Lula e da primeira-dama Janja geradas por inteligência artificial. Os advogados afirmam que a montagem tenta “incutir no eleitoral a imagem de um presidente ausente, esbanjador e alheio aos problemas do país”.
A defesa da campanha petista argumenta que a marca d’água que informa o uso de inteligência artificial não afasta a regra eleitoral sobre deepfakes. A representação cita uma “vedação objetiva” da resolução do TSE para esse tipo de conteúdo.
Missão: livrar o Brasil dos vermelhos.@JMilei pic.twitter.com/opz7NWavQK
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 24, 2026
Petição aponta série de vídeos produzidos com inteligência artificial
Os advogados afirmam que a publicação não representa um episódio isolado, mas o terceiro vídeo de uma série veiculada por Flávio Bolsonaro com uso de inteligência artificial. As peças anteriores também motivaram questionamentos na Justiça Eleitoral.
Nos vídeos já contestados, o senador associou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho ao PT e usou montagens de Lula, Janja e do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.
A Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, também pediu nesta semana que o TSE multe os deputados Coronel Meira (PL-PE) e Sargento Portugal (Pode-RJ) por uma montagem de IA publicada no Instagram. No conteúdo, Lula aparece com um boné com a sigla “CPX” e cercado por fuzis.
O pedido contra os parlamentares inclui a retirada da postagem e multas de R$ 30 mil para cada deputado. A federação afirma que a montagem buscou “aviltar a honra, degradar a imagem e fabricar uma associação criminosa inteiramente fictícia” contra Lula, além de alterar falas do presidente para simular apoio a facções criminosas e violência doméstica.