O ex-jogador Andrea Pirlo afirmou nesta segunda-feira (27) que deixou de ser considerado para assumir a seleção italiana após críticas a seu vínculo comercial com a casa de apostas russa Fonbet. Campeão da Copa do Mundo pela Itália, figurava entre os nomes cotados para substituir Gennaro Gattuso no comando da equipe nacional.
A candidatura perdeu força depois que dirigentes da Federação Italiana de Futebol e parlamentares italianos questionaram o papel de Pirlo como embaixador global da Fonbet. A relação com a empresa russa entrou no debate em meio à continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Pirlo publicou um comunicado no Instagram após receber, no domingo, a informação de que não seguia na disputa pelo cargo. “Depois de saber, na noite passada, que não sou mais candidato para liderar a seleção italiana, aque seja meu dever esclarecer alguns pontos”, escreveu.
O treinador disse que acompanhou com “grande amargura” a discussão em torno de seu nome e defendeu sua conduta profissional. “Ao longo da minha carreira, primeiro como jogador e agora como treinador, sempre exerci meu trabalho em total conformidade com as leis dos países onde atuei e com os contratos que assinei”, afirmou.
Pirlo comanda atualmente o United FC, clube da primeira divisão dos Emirados Árabes Unidos sediado em Dubai. Ele assinou em outubro um acordo para atuar como embaixador da Fonbet e sustentou que a parceria tem caráter “exclusivamente comercial e esportivo”.
Na mesma publicação, o italiano rejeitou a leitura política do contrato com a empresa. “Atribuir um significado político a essa colaboração é imputar a mim convicções que nunca expressei e que não me pertencem”, acrescentou.
A pressão cresceu depois que Pirlo participou, ao lado do ex-companheiro de seleção Marco Materazzi, de um evento da Fonbet no Estádio Luzhniki, em Moscou. A presença dos dois ex-jogadores na Rússia provocou críticas e ampliou a resistência à possível nomeação do treinador para a Azzurra.
O embaixador da Rússia na Itália, Alexey Paramonov, saiu em defesa de Pirlo em carta publicada no Facebook e criticou o que chamou de “ostracismo” contra o ex-jogador. O diretor técnico da Federação Italiana de Futebol, Paolo Maldini, assumiu neste mês a tarefa de indicar o próximo treinador da seleção, que tentará buscar vaga na Copa do Mundo de 2030 após ficar fora das últimas três edições do torneio.