PF suspeita que Ciro Nogueira recebeu mesadas de até R$ 500 mil

Expresso Rio
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Imagem: Divulgação/Arte-Expresso Rio

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (7) mandados de busca e apreensão ligados ao senador Ciro Nogueira em mais uma fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master.

Segundo os investigadores, há indícios de que o parlamentar teria recebido pagamentos mensais operacionalizados por Felipe Vorcaro, primo do empresário Daniel Vorcaro e apontado pela PF como operador financeiro do suposto esquema.

De acordo com documentos da investigação, os valores teriam começado em R$ 300 mil por mês e posteriormente alcançado R$ 500 mil. Felipe Vorcaro foi alvo de prisão temporária autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.

A defesa do senador acompanha a operação. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que ainda tomava conhecimento dos detalhes do caso durante o cumprimento das medidas judiciais.

“Nosso escritório acompanha a busca e informação”, declarou o advogado.

Em nota, a Polícia Federal informou que a nova etapa da Operação Compliance Zero busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes financeiros ligados ao Banco Master.

Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em diferentes estados e no Distrito Federal.

As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

A decisão também determinou o bloqueio de bens, contas e valores que somam R$ 18,8 milhões.

Até o momento, a PF não divulgou detalhes completos sobre a origem dos supostos pagamentos nem sobre o destino final dos recursos movimentados pelo grupo investigado.

Um dos principais pontos investigados envolve uma proposta de emenda relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo a decisão assinada por André Mendonça, a suspeita é de que integrantes ligados ao Banco Master tenham participado diretamente da elaboração de uma emenda legislativa que ampliaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Conforme a investigação, o texto teria sido elaborado por assessores ligados ao banco, encaminhado ao empresário Daniel Vorcaro e posteriormente entregue ao senador em envelope identificado com o nome “Ciro”.

A Polícia Federal afirma ainda que o conteúdo entregue ao parlamentar teria sido reproduzido integralmente na proposta apresentada ao Senado.

Segundo os investigadores, Daniel Vorcaro teria afirmado, após a publicação da proposta legislativa, que o texto “saiu exatamente como mandei”.

A nova ofensiva da Polícia Federal aumenta a pressão política em Brasília em meio ao avanço de investigações relacionadas ao sistema financeiro e a suspeitas de influência indevida na elaboração de propostas legislativas.

Ex-ministro da Casa Civil do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira é uma das principais lideranças do centrão e mantém forte influência nas articulações políticas no Congresso Nacional.

A Operação Compliance Zero também intensificou a pressão sobre o entorno empresarial ligado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, apontado pela investigação como figura central do suposto esquema.

Até o momento, Ciro Nogueira não se pronunciou pessoalmente sobre as acusações investigadas pela Polícia Federal.

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