Uma investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou mais de R$ 1 bilhão em movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo empresas da família Vorcaro, responsável pelo Banco Master, entre os anos de 2020 e 2025.
Segundo o relatório, a empresa Multipar, ligada ao grupo econômico da família, realizou uma intensa circulação de recursos entre contas e companhias vinculadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. A análise aponta indícios de uma complexa estrutura de movimentações internas, que, na avaliação do órgão, pode ter sido utilizada para ocultar a origem do dinheiro e inflar patrimônio.
As informações foram divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo.
De acordo com o documento, grande parte das operações ocorreu dentro do próprio círculo empresarial da família, envolvendo empresas como Hebron Participações e Alliance Participações. Apenas para a Alliance, a Multipar teria transferido R$ 51,4 milhões no período analisado.
A empresa é citada em investigações relacionadas a um suposto esquema de valorização artificial de ativos, mecanismo que teria sido usado para elevar o patrimônio do Banco Master e de fundos ligados ao grupo.
O Coaf também destacou transferências diretas para membros da família Vorcaro. Entre os valores apontados, Henrique Vorcaro recebeu R$ 14,7 milhões, enquanto Natália Vorcaro foi destinatária de R$ 6,4 milhões.
Já Aline Vorcaro, mãe de Daniel Vorcaro, aparece como a pessoa que mais recebeu recursos no período, com R$ 20,9 milhões em transferências.
A investigação levanta suspeitas sobre a finalidade econômica real dessas operações e reforça questionamentos sobre a origem dos recursos movimentados entre empresas e pessoas físicas ligadas ao grupo.
Segundo o relatório, a repetição de transferências entre companhias do mesmo núcleo empresarial pode indicar tentativa de dissimulação patrimonial, prática frequentemente observada em apurações sobre lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.
A defesa da família, representada pelo advogado Eugênio Pacelli, negou qualquer irregularidade e afirmou que todas as operações ocorreram dentro da legalidade, com respaldo documental e transparência.
Contexto da investigação
O caso se soma a outras apurações envolvendo o Banco Master e empresas relacionadas ao grupo Vorcaro.
Entre os pontos sob análise está a suposta participação da gestora Reag em operações ligadas ao inflacionamento de ativos financeiros e ambientais, em um esquema que, segundo investigações anteriores, poderia alcançar R$ 45 bilhões.
As autoridades buscam esclarecer se as movimentações identificadas pela investigação tinham como objetivo apenas reorganização interna de ativos ou se faziam parte de uma estrutura mais ampla de fraude financeira.
Próximos passos
O avanço das investigações deve aprofundar a análise sobre a relação entre a Multipar, a Alliance Participações, a Hebron e demais empresas ligadas à família Vorcaro.
A expectativa é que os órgãos responsáveis apurem se houve uso de empresas de fachada, manipulação contábil ou ocultação de recursos, o que pode ampliar ainda mais a repercussão do caso no setor financeiro.



