Pular para o conteúdo

PF aponta mudança “estratégica” de Castro antes de aportes bilionários no Master

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

A Polícia Federal apontou que mudanças promovidas no comando do Rioprevidência ocorreram pouco antes de o fundo previdenciário estadual direcionar cerca de R$ 3,7 bilhões para produtos financeiros ligados ao Banco Master. Segundo a investigação, as alterações administrativas teriam facilitado o credenciamento da instituição financeira e a realização de aportes considerados incompatíveis com critérios técnicos e normas regulatórias.

O caso ganhou forte repercussão política no Rio de Janeiro após a divulgação de trechos da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas da Operação Compliance Zero. Conforme apuração da PF, as trocas na direção do Rioprevidência aconteceram em momento considerado “estratégico” para a liberação dos investimentos.

O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. De acordo com os investigadores, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o fundo aplicou R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram destinados a fundos estruturados ligados ao mesmo grupo econômico.

PF aponta “nomeações estratégicas” no Rioprevidência

Segundo a investigação, dirigentes considerados alinhados à liberação dos investimentos foram posicionados em setores estratégicos do fundo previdenciário estadual. A decisão cita nominalmente Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente; Eucherio Lerner Rodrigues, diretor de Investimentos; Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de Investimentos e Operações; e Fernanda Pereira da Silva Machado, responsável pelo Controle Interno e Auditoria.

De acordo com a PF, esses gestores teriam atuado “em desconformidade com a política de investimentos, com a legislação de regência e com os deveres fiduciários mínimos de prudência, diligência e motivação técnica”.

A investigação também aponta que mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicariam que determinados investimentos dependeriam de “alinhamento político” com integrantes do governo estadual.

Ainda segundo os investigadores, houve um suposto sincronismo entre reuniões realizadas entre Vorcaro e o então governador Cláudio Castro e os aportes posteriores feitos pelo Rioprevidência.

Investigações citam encontros e viagens

O relatório da Polícia Federal afirma que Cláudio Castro e Daniel Vorcaro mantinham encontros frequentes, reuniões reservadas e viagens ao exterior. Conforme a investigação, algumas despesas teriam sido custeadas pelo banqueiro.

Outro ponto destacado pelos investigadores é que os investimentos teriam continuado mesmo após alertas formais emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), além de pareceres técnicos desfavoráveis e restrições regulatórias envolvendo as operações financeiras.

Na decisão judicial, o ministro André Mendonça afirmou existir um “robusto conjunto de elementos indiciários” sobre possíveis irregularidades relacionadas à condução dos investimentos do Rioprevidência.

Segundo a síntese da hipótese investigativa apresentada pela PF, a motivação central das decisões financeiras não estaria baseada em critérios técnicos regulares de investimento, mas em uma relação pessoal considerada indevida entre o controlador do Banco Master e autoridades com influência sobre o fundo previdenciário estadual.

Defesa de Cláudio Castro reage à operação

O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, afirmou que o ex-governador acompanhou as buscas da operação “com serenidade”. O defensor também declarou ver possibilidade de motivação política por trás da investigação.

“Eu vejo isso tudo nesse momento aí que nós estamos passando de eleições. Eu vejo que é possível que seja”, declarou o advogado. Em seguida, ele ponderou que se tratava apenas de uma opinião pessoal, sem confirmação oficial.

A repercussão do caso ampliou o debate sobre a gestão de fundos previdenciários públicos no estado do Rio de Janeiro, especialmente diante do volume bilionário das operações investigadas e do impacto potencial sobre aposentadorias e pensões de servidores estaduais.

O avanço das investigações também voltou a colocar em discussão a relação entre agentes públicos e instituições financeiras privadas em operações envolvendo recursos previdenciários.

autores
tópicos relacionados

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.