Assessores do presidente Lula passaram a avaliar que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atua para dificultar a reeleição do petista, segundo o Blog do Valdo Cruz no g1. A leitura ganhou força após o Departamento de Estado divulgar um vídeo que defende o domínio americano sobre as Américas.
No material, o órgão afirma que o domínio dos Estados Unidos no continente “nunca mais será questionado” e cita intervenções de Washington na região. O vídeo também menciona a ação americana contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro como exemplo de demonstração de força.
Integrantes do governo Lula interpretam a publicação como uma exposição da política de Rubio para a América Latina. Na avaliação desses assessores, o secretário pretende tratar a América do Sul como área direta de influência dos Estados Unidos, em uma espécie de “diplomacia de quintal”.
Entre interlocutores do Planalto, a ala ideológica do governo Donald Trump, liderada por Rubio, recebeu a comparação com os “Pinguins de Madagascar pilotando o Air Force One”, personagens do desenho animado que aparecem no comando de um avião de forma atabalhoada.
The Monroe Doctrine has shaped U.S. foreign policy for over two centuries. 🇺🇸
American dominance in the Western Hemisphere will never be questioned again. pic.twitter.com/hsoGS17gqV
— Department of State (@StateDept) August 11, 2026
Doutrina Monroe e disputa por influência na América do Sul
O vídeo recupera a Doutrina Monroe, política formulada no século XIX que defendia influência predominante dos Estados Unidos nas Américas e rejeitava a presença de potências externas no continente. Assessores de Lula apontam a China como o principal rival de Washington nesse cenário.
Para esses integrantes do governo, a referência a Maduro indica que os Estados Unidos admitem agir diretamente quando identificam interesses estratégicos na região. Rubio transformou a América Latina em uma das principais frentes de sua atuação política no governo Trump.
O diagnóstico no Planalto também considera o apoio do governo americano a forças de direita na América Latina. Trump apoiou aliados do presidente argentino Javier Milei nas eleições legislativas do ano passado e defendeu candidaturas conservadoras em outros países da região.
Na visão de assessores de Lula, a estratégia busca ampliar o número de governos sul-americanos alinhados à direita, tendo o Brasil como alvo prioritário. Eles citam a proximidade de integrantes da família Bolsonaro com Rubio como parte dessa articulação política.