O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, classificou como “bizarra” a forma como os Estados Unidos indicaram o deputado estadual da Flórida Daniel Perez para comandar a embaixada americana no Brasil. A fala ocorreu nesta quarta (12), em audiência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
Amorim afirmou que Washington divulgou o nome de Perez antes de obter o agrément, a anuência formal do governo brasileiro necessária para a nomeação de um embaixador. Para ele, os EUA também erraram ao dar continuidade ao processo de aprovação no Senado americano sem a autorização do Brasil.
“O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro”, disse.
O assessor de Lula declarou que a conduta contraria a Convenção de Viena, que regula as relações diplomáticas entre os países. O Planalto sustenta que a análise do agrément é confidencial e que o país interessado deveria apresentar formalmente o pedido antes de anunciar o indicado.
Embaixada está sem titular desde janeiro de 2025
Amorim também lembrou que a embaixada dos EUA em Brasília está sem embaixador desde janeiro de 2025, quando Elizabeth Frawley Bagley, indicada pelo então presidente Joe Biden, deixou o posto. Desde então, um encarregado de negócios responde pela representação americana.
“Os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui”, afirmou Amorim. Ele disse que a tentativa de nomear um novo representante perto das eleições brasileiras, sem o consentimento prévio do governo, causou estranhamento no Planalto.
Daniel Perez, republicano de 39 anos, nasceu em Nova York, é filho de cubanos e representa a Flórida desde 2017. Advogado, ele construiu sua campanha política com defesa de impostos mais baixos, menor intervenção do governo e políticas de segurança.
O indicado manifesta apoio ao presidente Donald Trump e ao movimento MAGA, sigla em inglês para “Faça a América Grande Novamente”. Em janeiro, compartilhou um vídeo do secretário de Estado Marco Rubio sobre Cuba e também elogiou uma operação americana relacionada à Venezuela.
Mesmo com a aprovação nos Estados Unidos, Perez não poderá assumir a embaixada enquanto o governo brasileiro não conceder o agrément. Após o impasse, o governo Trump cancelou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti; um funcionário do Departamento de Estado afirmou que o documento será restabelecido quando a situação for resolvida.