O Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, instaurou inquérito para apurar o relato de que o motorista de Fernando Haddad (PT) foi seguido por uma viatura da Polícia Militar após deixar o candidato em casa. Haddad disputa o governo paulista contra o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo a representação apresentada pela coligação Desperta SP, liderada pelo PT, o episódio ocorreu na noite de terça-feira (11), depois de Haddad participar de um evento na Faculdade de Direito da USP. O motorista teria sido acompanhado pela viatura durante parte do trajeto e entrado em um hotel, na Vila Mariana, para buscar imagens de segurança e questionar os policiais sobre a situação.
No despacho que autorizou a apuração, o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt citou a alegação da coligação de que haveria um “nexo temporal” entre o episódio e as críticas feitas por Haddad à gestão da segurança pública estadual no debate da TV Band, dois dias antes. A representação aponta possível abuso de poder político e de autoridade, mas o inquérito ainda está em fase de coleta de informações.
O MPF requisitou à Secretaria da Segurança Pública e ao comando da PM documentos sobre o policiamento no bairro Planalto Paulista na noite de 11 de agosto. Entre os pedidos estão ordens de serviço, identificação de viaturas e policiais, itinerários de patrulhamento e informações sobre eventual ordem ou autorização para a ação na região. A Procuradoria também solicitou imagens do Hotel Pullman a partir das 21h40.
A versão apresentada pela SSP é diferente. O secretário Osvaldo Nico Gonçalves afirmou que a viatura atuava em uma ocorrência ligada à chamada gangue do quebra-vidro e que não houve tentativa de intimidação. Haddad contestou a explicação, dizendo que o horário registrado no boletim de ocorrência e o veículo procurado pela PM não coincidem com o relato do motorista.
O inquérito federal deverá confrontar essas versões com documentos, imagens e dados operacionais da corporação. A apuração busca esclarecer se a movimentação da viatura decorreu de patrulhamento relacionado a uma ocorrência criminal ou se houve alguma ação irregular contra a campanha do candidato petista.




