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Polícia

Não há heróis do jornalismo na caçada a Flávio Dino. Por Moisés Mendes

4 min de leitura Expresso Rio
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Não há heróis do jornalismo na caçada a Flávio Dino. Por Moisés Mendes
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Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura, sempre foi apresentado como exemplo de jornalista amordaçado pelo fascismo. Mas Herzog, de quem nos resta a memória, está sendo substituído por um blogueiro do Maranhão como modelo da luta pela liberdade de imprensa contra poderosos do sistema de Justiça.

E um ex-delegado da Polícia Federal, que monitorava o ministro Flávio Dino para abastecer o blogueiro, é o modelo exemplar de a ser preservada a qualquer custo. Mesmo que ambos sejam citados em suspeitas de envolvimento em crimes e vigarices.

A que a Globo exalta como modelo a ser seguido é Raimundo Cutrim, investigado por obstrução de Justiça num caso escabroso de homicídio no Maranhão. O blogueiro é Luis Pablo Conceição Almeida.

Ambos já foram elevados à condição de heróis por Andréia Sadi e Malu Gaspar, por terem sofrido busca e apreensão determinada pelo STF. Só não ganharam powerpoint sobre seus dramas porque esse é um recurso gráfico que se tornou perigoso na Globo.

Malu Gaspar: “O sigilo da é garantido pela Constituição. Não há evidência de que o jornalista estivesse perseguindo Flávio Dino. Mesmo assim, houve buscas para tentar violar o sigilo. Isso é uma ameaça seríssima à democracia. Ministro do Supremo não está acima da… pic.twitter.com/lHRryN7b06

— Pri (@Pri_usabr1) August 12, 2026

São celebridades do momento, a partir das posições de grandes nomes do jornalismo das corporações. É nisso que podemos nos agarrar para defender a vida de repórter? É no blogueiro suspeito de pilantragem a serviço de um delegado que persegue Flávio Dino para amedrontá-lo por ser relator de um caso que o envolve?

Um delegado que se transforma em araponga e um blogueiro que deve colocar suas informações na rua, a pretexto de denunciar o uso irregular de carros oficiais por familiares de Flávio Dino – esses são os heróis do jornalismo opinativo de Globo, Folha e Estadão no momento.

Tratados como heróis pelo colunismo e em editoriais, mas desmascarados pelo jornalismo que teima em sobreviver nas grandes redações. Nesta sexta-feira, Daniela Lima, no UOL, e José Marques, na Folha, mostram o que está por trás da perseguição a Dino.

Daniela Lima é a jornalista mais bem informada sobre esse caso de perseguição ao ministro Flávio. Ela apurou que a que repassou dados, fotos e vídeos da família do ministro Flávio Dino ao blogueiro é investigada por assassinato e tenta afastar o ministro do julgamento do… pic.twitter.com/zYnfdUpxDe

— Julio Freiress (@JFreiress_) August 14, 2026

Uma gangue envolvida num homicídio provocado, entre outros motivos, pelo desvio de dinheiro de emendas parlamentares e de cobrança de propinas. É o que explica os ataques a Dino.

Em um dos despachos que tornou público nesta sexta, Flávio Dino informa: “Há no Estado do Maranhão um ecossistema empresarial criminoso, destinado ao desvio de recursos públicos, abrangendo inclusive emendas parlamentares federais”.

A reportagem de Daniela Lima acrescenta: “Dino aponta que as medidas obstrutivas de interesse da organização criminosa envolveriam policiais federais e civis, advogados, políticos, entre os quais um senador da República”. O senador é Weverton Rocha, do PDT.

Um dos agentes federais é o ex-delegado da PF Raimundo Cutrim, em prisão domiciliar por obstrução de Justiça no caso do homicídio do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, em 2022. O assassinato mobiliza os que tentam encobrir tudo e todos que nele estão envolvidos.

Cutrim é a que Malu Gaspar e Andréia Sadi exaltam como exemplo de informante a ser protegido, depois de ter sofrido busca e apreensão. O blogueiro que Cutrim abastecia, o destemido Luis Pablo, está sob investigação da PF pela suspeita de ter recebido R$ 100 mil para atacar Dino.

A Folha abriu manchete, na quarta-feira, para que Pablo defendesse a liberdade de imprensa. O Jornal Nacional dedicou mais de 10 minutos ao seu caso, apresentado como exemplo de perseguição a s e repórteres.

Para a Folha, para a Associação Nacional dos Jornais, para o JN e para alguns ‘especialistas’ em liberdades, Cutrim e Pablo se dedicavam à nobre missão de denunciar desmandos de Flávio Dino e mereciam ser protegidos: Cutrim como exemplar do bom jornalismo, e Pablo como repórter fora do eixo Rio-São Paulo, que os jornalões adotaram como modelo de jornalista destemido.

Mas colegas dos colunistas dos jornalões – e também de veículos independentes –, que teimam em fazer reportagem, publicam nos próprios jornais dos admiradores de Cutrim e de Pablo informações que desmontam textos de colunas e de editoriais. O jornalismo às vezes vence o colunismo sustentado por vazadores de informações contra ministros do STF e contra as esquerdas.

É o que pode acontecer nesse caso em que viciados em vazamentos, como são os colunistas das corporações, agarram-se ao arame farpado de uma dupla suspeita. Buscam o suporte romântico da preocupada com a moralidade e de um repórter que se engaja à sua empreitada ética. Tudo vigarice.

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