O sociólogo Jason Arday, de 41 anos, ex-professor da Universidade de Cambridge, foi encontrado morto nesta sexta-feira (14) em uma casa em Londres, poucos dias depois de deixar a instituição britânica em meio a acusações de plágio e questionamentos sobre trabalhos acadêmicos e informações de sua biografia.
A Polícia Metropolitana de Londres informou que uma ambulância foi acionada após um homem ser encontrado inconsciente. A morte foi constatada ainda no local. Segundo a corporação, o caso é tratado como uma morte “inesperada”, mas não há suspeita de crime.
A identidade não foi divulgada oficialmente pela polícia, procedimento comum no Reino Unido, mas a família de Arday confirmou a morte do sociólogo. Ele estava sozinho no momento em que morreu.
Família fala em campanha de assédio
Em comunicado, familiares afirmaram que Arday havia sido alvo de uma “campanha de acusações e assédio” durante mais de três anos, período que começou depois de ele assumir o posto em Cambridge.
“Esses ataques foram demais para Jason, um homem delicado que sempre queria ver o melhor nas pessoas”, afirmou a família.
Os parentes disseram estar em choque com a morte e pediram privacidade. Também acusaram setores da imprensa de promoverem uma campanha de assédio contra o professor e seus familiares.
Arday ganhou projeção internacional em 2023, quando se tornou, aos 37 anos, a pessoa negra mais jovem a ocupar um cargo de professor na Universidade de Cambridge. Ele assumiu uma posição no Jesus College, uma das unidades mais tradicionais da instituição.
O sociólogo também era conhecido por suas pesquisas e palestras relacionadas ao racismo e às desigualdades no ensino superior.
Acusações antecederam demissão
A morte ocorre cerca de uma semana depois de Arday deixar Cambridge em meio a uma série de questionamentos sobre sua produção acadêmica.
Uma análise publicada pelo jornal britânico The Telegraph apontou que mais de 100 passagens da tese de doutorado do sociólogo apresentavam semelhanças com a tese de Paula Zwozdiak-Myers, da Universidade Brunel de Londres, publicada seis meses antes.
O Times de Londres também apontou erros e informações incorretas em pelo menos dois artigos acadêmicos publicados pelo professor. Posteriormente, Arday divulgou correções relacionadas aos trabalhos, originalmente publicados em 2018 e 2020.
Também surgiram questionamentos sobre informações presentes em seu currículo. Arday afirmava ter atuado como professor convidado na Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, e na Universidade de Glasgow, na Escócia. As duas instituições negaram que ele tivesse lecionado nelas.
Outro ponto questionado envolvia um suposto mestrado em estudos psicodinâmicos na Universidade Birkbeck, em Londres. Segundo informações divulgadas pelo Guardian, a instituição afirmou não ter concedido esse título ao acadêmico.
Trajetória marcada por ataques racistas
Ao mesmo tempo em que enfrentava questionamentos sobre sua carreira, Arday também foi alvo de ataques racistas. A própria Universidade de Cambridge chegou a informar que monitorava o e-mail institucional do professor para impedir que ameaças de morte chegassem diretamente à sua caixa de entrada.
Alguns episódios relatados publicamente pelo acadêmico, porém, também foram posteriormente questionados.
Arday contou, por exemplo, que havia sido perseguido no campus por um homem encapuzado armado com uma faca. Não houve imagens de câmeras que confirmassem o episódio, e o caso não teria sido comunicado às autoridades na ocasião.
Ele também relatou que uma cabeça de porco decepada havia sido enviada à casa de seus pais durante uma campanha racista. Arday afirmou que a polícia havia encontrado evidências do ocorrido, enquanto a corporação negou essa informação.




