Uma operação policial realizada nesta terça-feira (5) no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, terminou com um suspeito morto, 12 pessoas presas e ao menos 20 veículos recuperados. A ação também provocou interdições em vias importantes, como a Linha Vermelha, e afetou diretamente o funcionamento de escolas, unidades de saúde e o transporte público na região.
A ofensiva faz parte de mais uma etapa da Operação Torniquete, conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), com apoio de unidades especializadas da Polícia Civil. O objetivo é desarticular uma organização criminosa envolvida em roubos de cargas e veículos, além do comércio ilegal de armas no estado do Rio de Janeiro.
Durante a operação, houve confronto entre policiais e criminosos, resultando na morte de um suspeito. Além das prisões, os agentes apreenderam armas, munições, dinheiro em espécie e resgataram um macaco-prego mantido irregularmente.
A ação teve reflexos imediatos no trânsito. Criminosos incendiaram objetos na altura do Pontilhão, na Linha Vermelha, no sentido Centro, obrigando a interdição da via. Equipes do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) atuaram para remover barricadas e controlar a situação. A via já foi liberada, mas o policiamento segue reforçado na área.
Também houve tentativa de bloqueio da Avenida Brasil, com barricadas e colchões em chamas, aumentando o clima de tensão em toda a região da Maré e arredores, como Bonsucesso e Nova Holanda.
A operação afetou diretamente ao menos nove linhas de ônibus, que tiveram seus itinerários alterados:
| Linha | Trajeto |
|---|---|
| 321 | Bancários x Castelo |
| 323 | Bananal x Castelo |
| 325 | Ribeira x Castelo |
| 327 | Ribeira x Castelo |
| 485 | Fundão x Ipanema |
| 492 | Bancários x Prado Junior |
| 635 | Bananal x Saens Peña |
| 2343 | Ribeira x Castelo |
| 2344 | Bancários x Castelo |
A Secretaria Municipal de Educação informou que 41 escolas da região tiveram o funcionamento prejudicado no período da manhã. Já na área da saúde, pelo menos uma unidade de Atenção Primária suspendeu totalmente os atendimentos, enquanto outra manteve apenas serviços internos, cancelando atividades externas.
Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava empresas de fachada, documentos falsificados e plataformas digitais clandestinas para adquirir armamentos. Parte das armas era comprada pela internet, inclusive em lojas e estandes de tiro em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro.
Esses armamentos eram usados tanto em roubos de cargas e veículos quanto no fortalecimento de atividades ligadas ao tráfico de drogas, principalmente nas comunidades da Nova Holanda e regiões próximas.
A polícia aponta ainda que a organização tem ligação com o Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas que atuam no estado.
Apesar da liberação de vias importantes, a situação ainda é considerada sensível no Complexo da Maré. O policiamento segue reforçado e novas ações não estão descartadas pelas autoridades.
A operação desta terça reforça o impacto direto das ações de segurança pública na rotina da população do Rio de Janeiro, especialmente em áreas estratégicas da Zona Norte, onde confrontos frequentes continuam afetando serviços essenciais e a mobilidade urbana.