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Navio da Segunda Guerra Mundial ajudou a iluminar o Rio de Janeiro nos anos 1950

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Navio da Segunda Guerra Mundial ajudou a iluminar o Rio de Janeiro nos anos 1950

Uma antiga embarcação criada pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial se transformou em uma usina flutuante e teve papel importante no combate à crise de energia que atingiu o Rio de Janeiro na década de 1950. A história do navio, que depois passou por outras regiões do Brasil, agora está disponível em uma exposição virtual gratuita.

Projeto nasceu durante a Segunda Guerra

O navio foi desenvolvido na década de 1940 a partir de um projeto liderado pelo engenheiro Walker Cisler, nos Estados Unidos. A proposta era criar usinas elétricas flutuantes capazes de atravessar oceanos e fornecer eletricidade em áreas afetadas pela guerra.

Construída pela Bethlehem Steel Company, na Pensilvânia, a embarcação foi lançada em 1943, no porto de Charleston. Batizada inicialmente de Seapower, contava com caldeiras a óleo e turbinas a vapor capazes de produzir energia suficiente para abastecer uma cidade de médio porte.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o navio atravessou o Atlântico sob risco de ataques de submarinos alemães e permaneceu ancorado no rio Tâmisa, em Londres, até o fim do conflito.

Embarcação chegou ao Rio em 1950

Depois da guerra, a embarcação voltou aos Estados Unidos. Em 1950, a Brazilian Hydroelectric Company, do grupo Light, levou o navio para o Rio de Janeiro, então capital federal, para ajudar a enfrentar a crise energética.

Ao chegar ao Brasil, a usina flutuante recebeu inicialmente o nome de Piraquê e passou a ser operada pela Marinha. A embarcação foi utilizada para reforçar o fornecimento de eletricidade em diferentes pontos da cidade.

O uso do navio, porém, gerou críticas. A embarcação chegou a atender áreas turísticas, como Copacabana e o Jóquei Club, na Gávea, enquanto outras regiões do Rio continuavam enfrentando falta de energia. Em 1954, a usina foi deslocada para Niterói, onde ajudou a reduzir os problemas de abastecimento.

Usina flutuante percorreu outras regiões

Em 1968, a embarcação foi vendida à Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul e rebocada até Porto Alegre. Na época, o estado enfrentava uma forte estiagem, com reservatórios em níveis baixos.

Ancorada no Guaíba, a usina flutuante forneceu parte da eletricidade consumida pela região metropolitana até 1975. Depois, foi vendida à Companhia de Eletricidade de Manaus e recebeu o nome de Poraquê, em referência ao peixe-elétrico amazônico.

A embarcação também teve importância no desenvolvimento da infraestrutura energética de Manaus. Com a expansão da Zona Franca, ajudou a reduzir o risco de apagões e forneceu energia ao novo polo industrial, operando ao lado da Usina de Mauá e de outras unidades termelétricas.

Poraquê reforçou energia no Norte

Em 1978, a Poraquê foi transferida para a recém-criada Eletronorte e rebocada para Belém. O objetivo era reforçar o sistema elétrico da capital paraense.

As condições de calor e umidade da região, entretanto, castigaram a embarcação. Na década de 1980, a entrada em operação de grandes hidrelétricas, como Tucuruí, reduziu a importância da usina flutuante, que acabou desativada e esquecida no porto de Belém.

Em 1991, o navio foi doado ao município de Cametá, no Pará. A embarcação acabou naufragada para funcionar como barreira contra a erosão do rio Tocantins, ajudando a proteger a orla e construções históricas da cidade.

História virou exposição virtual gratuita

Apesar do fim da embarcação, parte de sua trajetória foi preservada pela Memória da Eletricidade. Fotografias, vídeos, documentos e diários de bordo ajudam a reconstruir a história da usina flutuante e sua passagem por diferentes regiões brasileiras.

A instituição lançou a exposição virtual “A Usina Flutuante que Navegou o Brasil”, disponível gratuitamente na plataforma Google Arts & Culture. A mostra reúne registros históricos e técnicos sobre o navio desde sua criação durante a Segunda Guerra Mundial até sua atuação no sistema elétrico brasileiro.

A exposição também apresenta uma entrevista inédita com Andrey Martin, doutor em História e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que pesquisou a trajetória da Poraquê e sua importância para a história da energia no país.

O acesso à exposição é gratuito e pode ser feito pela plataforma Google Arts & Culture, por meio da página da Memória da Eletricidade.

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