O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou a prorrogação por mais 90 dias das investigações da Operação Carbono Oculto, apontada por autoridades como uma das maiores ofensivas já realizadas contra estruturas financeiras associadas ao crime organizado no Brasil.
O pedido foi apresentado em parecer sigiloso por integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo informações divulgadas por veículos que acompanham o caso, a complexidade da apuração e a necessidade de conclusão de análises periciais motivaram a solicitação de prazo adicional.
A investigação apura um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvendo operações no setor de combustíveis e movimentações financeiras ligadas à região da Faria Lima, em São Paulo.
A mais recente fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada na última semana em parceria com órgãos federais e instituições estaduais. O objetivo, segundo os investigadores, é enfraquecer a estrutura financeira utilizada pelo grupo criminoso.
De acordo com a apuração, seis fintechs investigadas teriam movimentado aproximadamente R$ 46 bilhões ao longo dos últimos quatro anos. Conforme os investigadores, essas empresas integrariam um núcleo financeiro responsável por realizar compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis.
Ainda segundo as investigações, empresas e fundos de investimento também teriam sido utilizados para movimentações financeiras relacionadas ao esquema investigado.
De acordo com informações atribuídas à Receita Federal, as suspeitas aumentaram após a identificação de elevados volumes de depósitos realizados em dinheiro vivo, prática considerada incompatível com o funcionamento habitual de instituições de pagamento.
Os investigadores também apontam que as fintechs mantinham contas em diferentes instituições bancárias, criando uma camada adicional de complexidade para o rastreamento dos recursos financeiros.
Segundo estimativas apresentadas durante a investigação, uma das instituições sob análise teria recebido mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie entre os anos de 2022 e 2024.
O Procedimento Investigatório Criminal (PIC) relacionado à Operação Carbono Oculto permanece em andamento desde 2024. Com o novo pedido de prorrogação, o Ministério Público busca concluir diligências pendentes, aprofundar análises técnicas e consolidar elementos que possam contribuir para o avanço das apurações.
Até o momento, a investigação continua em curso e não há decisão judicial definitiva sobre os fatos apurados. As autoridades seguem reunindo informações para esclarecer o funcionamento da estrutura financeira investigada e a eventual participação dos envolvidos.
A Operação Carbono Oculto é considerada estratégica pelas autoridades no enfrentamento às estruturas econômicas utilizadas por organizações criminosas para movimentação e ocultação de recursos em larga escala.
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