Luiz Antonio Lopes, personagem central nas versões que cercam a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro, apresentou relatos opostos em um intervalo de poucas semanas. Antes de dizer à Polícia Legislativa que havia uma “armação” para incriminar o deputado, o comerciante procurou o gabinete da senadora Soraya Thronicke afirmando conhecer a jovem que teria sido vítima e pediu dinheiro para fornecer mais informações.
O primeiro contato ocorreu em março. Segundo O Globo, Lopes relatou a assessores de Soraya que conhecia uma jovem de Alagoas que teria engravidado de Gaspar aos 13 anos. A senadora compartilhou as informações com Lindbergh Farias (PT-RJ). Lopes, porém, pediu dinheiro para revelar mais detalhes, e Soraya afirmou a interlocutores que interrompeu as conversas por esse motivo.
A denúncia chegou à Polícia Federal depois que Soraya e Lindbergh encaminharam um pedido de investigação. O documento relata, em tese, um caso de estupro de vulnerável ocorrido oito anos atrás. Gaspar nega a acusação, ofereceu material genético para um exame de DNA e processou os dois parlamentares por calúnia. A PF levou o material ao Supremo, onde o ministro Gilmar Mendes aguarda novos esclarecimentos antes de decidir sobre a abertura de inquérito.
Menos de um mês depois do contato com o gabinete de Soraya, Lopes apresentou uma história diferente. Em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara, afirmou que uma jovem teria sido recrutada para se passar pela suposta vítima e acusar falsamente Gaspar. Também disse que sua própria conta bancária recebeu valores que teriam sido usados na suposta operação e associou a articulação a pessoas ligadas a Lindbergh.
O petista nega qualquer participação em uma armação e afirma que encaminhou à PF os áudios recebidos porque havia uma acusação grave a ser investigada. Nesta semana, Lindbergh divulgou vídeos antigos de Lopes, questionou a credibilidade do depoimento e pediu ao STF a anulação do material produzido pela Polícia Legislativa. Uma semana depois de prestar depoimento, em 30 de abril, Lopes se filiou ao PL, partido de Gaspar e Flávio Bolsonaro.
Recentemente, Lopes afirmou que a suposta vítima viveria atualmente com um sobrinho dele em uma chácara em Tombos, no interior de Minas Gerais, e disse possuir provas do caso. Moradores da região afirmaram não conhecer a jovem e Lopes não apresentou as provas que disse possuir.
As versões contraditórias agora se somam ao material que será analisado pelas autoridades. A Procuradoria-Geral da República ainda aguarda esclarecimentos para decidir sua posição sobre o pedido da Polícia Federal, e Gilmar Mendes determinou que Soraya apresente, em 15 dias, mais informações sobre a denúncia que recebeu. Gaspar sustenta que é inocente e insiste na realização do exame de DNA.