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Nobel Katalin Karikó diz que ambiente científico nos EUA piorou e cita avanço da China

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Nobel Katalin Karikó diz que ambiente científico nos EUA piorou e cita avanço da China

A bioquímica húngara Katalin Karikó, 71, vencedora do Nobel de Medicina de 2023, afirmou que o ambiente para fazer ciência nos Estados Unidos “já não é tão bom” e associou a piora ao avanço de movimentos antivacina desde a pandemia.

Karikó recebeu o Nobel ao lado do imunologista americano Drew Weissman, 66, pela descoberta sobre a pseudouridina que ajudou a viabilizar as vacinas de RNA mensageiro contra a Covid-19 desenvolvidas por Pfizer e Moderna. “A palavra ‘RNA mensageiro’ virou palavrão nos EUA”, disse a cientista. Com informações da Folha de S. Paulo.

A pesquisadora afirmou que cientistas interessados em trabalhar com a tecnologia podem buscar outros países. “Se alguém hoje quer trabalhar com isso, precisa ir para a China. Talvez os cientistas americanos aprendam chinês e se mudem pra lá, e aí, mais tarde, os EUA possam pedir novas vacinas para a China”, declarou.

Karikó conversou com jornalistas em 2 de julho, durante a 75ª Reunião do Prêmio Nobel de Lindau, na Alemanha, encontro que reúne anualmente laureados e jovens pesquisadores de diferentes países. A edição deste ano ocorreu de 28 de junho a 3 de julho.

Pesquisa com RNA mensageiro avança fora dos EUA

A tecnologia de RNA mensageiro, que ganhou escala durante a pandemia, também vem sendo testada em vacinas contra vírus complexos, como o HIV, e em tratamentos contra o câncer. Karikó disse não se importar com o país onde a pesquisa avança: “Você acha que o paciente liga de onde vem o remédio?”

Depois do Nobel, a bioquímica fundou uma empresa para desenvolver um possível tratamento contra ELA, a esclerose lateral amiotrófica, com base na mesma tecnologia. Embora viva há décadas nos Estados Unidos, a companhia funciona principalmente na Austrália, onde um teste clínico em humanos deve começar em breve.

A trajetória de Karikó inclui cortes de financiamento e resistência acadêmica ao RNA mensageiro. Filha de um açougueiro, ela iniciou a carreira no Instituto de Bioquímica da Universidade de Szeged, na Hungria, e se mudou para os EUA em 1985 com o marido, o engenheiro mecânico Béla Francia, e a filha de dois anos.

Na Universidade da Pensilvânia, onde desenvolveu parte central de sua pesquisa, Karikó disse que enfrentou pressão para abandonar o RNA mensageiro após anos sem financiamento. Em 1995, a instituição exigiu que ela deixasse a área ou aceitasse rebaixamento e redução salarial; ela escolheu continuar pesquisando.

Karikó afirma que, em 2013, a universidade a expulsou de seu laboratório e a proibiu de voltar, apesar dos avanços na tecnologia; a instituição nunca confirmou nem negou essa versão. No mesmo período, ela entrou na BioNTech, empresa alemã de biotecnologia que anos depois firmou parceria com a Pfizer para a vacina contra a Covid-19.

“O Ugur [Sahin, cofundador da BioNTech] viu que eu era muito entusiasmada, e eu insisti em trabalhar com RNA mensageiro. Eu preciso na verdade agradecer à UPenn: se não tivessem me expulsado [do laboratório], a vacina da Pfizer não existiria”, afirmou a cientista.

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