Moradores de uma pequena vila costeira da Albânia ficaram chocados há dois anos, quando Jared Kushner divulgou imagens de um luxuoso resort de inspiração mediterrânea planejado para uma estreita faixa de terra cercada pelo mar azul e por uma lagoa frequentada por flamingos.
Para os habitantes locais, porém, o terreno tinha outro significado. Era a área onde seus pais e avós cultivavam batatas.
Segundo os moradores, a propriedade foi tomada nos anos 2000 por Artur Shehu, apontado como integrante do crime organizado e que teria fugido para Miami depois de se envolver em um tiroteio em seu bar.
De acordo com o Wall Street Journal, os moradores chegaram a enviar uma carta a Kushner para alertá-lo sobre a disputa. Eles afirmaram estar envolvidos havia quase duas décadas em uma batalha judicial contra Shehu e pediram que os investidores desistissem do empreendimento.
Na carta, sustentaram que a área era “propriedade da vila e de seus moradores”.
O alerta, porém, não impediu o avanço do projeto. Um grupo de desenvolvimento apoiado por Kushner comprou o terreno de Shehu por mais de US$ 120 milhões — cerca de R$ 650 milhões, em valores aproximados — no início deste ano.
A operação ganhou uma nova dimensão dois meses depois. Promotores da Albânia pediram a prisão de Shehu, acusando-o de exercer um papel de liderança em uma ampla operação internacional de tráfico de drogas.
Segundo as autoridades, a organização teria transportado cocaína da América do Sul para a Europa utilizando cargas aparentemente legais, incluindo remessas de carvão e pasta de frutas.
O caso colocou sob escrutínio a origem da propriedade adquirida pelo grupo ligado a Kushner e reacendeu as acusações dos moradores de que a terra foi tomada de forma irregular. A disputa envolve não apenas o futuro do resort, mas também a cadeia de propriedade de uma das áreas mais cobiçadas do litoral albanês.