O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta sexta-feira (10) alvará de soltura ao ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella. Ele deixará o presídio com tornozeleira eletrônica.
A decisão também alcança o policial militar Antônio Gomes da Silva Neto, preso na mesma fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Canella tinha sido preso em flagrante após agentes encontrarem um fuzil no veículo em que ele estava.
O ex-prefeito nega ser dono da arma. Moraes reconheceu a legalidade das prisões em flagrante, mas entendeu que a custódia poderia dar lugar a medidas cautelares.
Para responder em liberdade, Canella e o policial militar terão de usar tornozeleira eletrônica, cumprir recolhimento domiciliar à noite e nos fins de semana, comparecer semanalmente à Justiça, entregar os passaportes e suspender imediatamente o porte de armas.
Operação da PF apura lavagem de dinheiro em rede de postos
A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Unha e Carne, que investiga suspeita de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis. Após audiência de custódia, Canella seguiu para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, o Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.
A Polícia Federal afirma que a investigação começou a partir de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos envolvendo empresas investigadas.
Na operação, agentes cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A PF apreendeu armas, munições, relógios de luxo, 11 veículos de alto padrão, incluindo uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão, e cerca de R$ 800 mil em dinheiro vivo encontrados em uma empresa investigada.
A Polícia Federal informou que localizou o fuzil no porta-malas do veículo usado por Márcio Canella durante os mandados. A Operação Unha e Carne apura suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e outras irregularidades relacionadas ao grupo investigado; os fatos ainda serão analisados no processo, e não há condenação definitiva dos investigados.




