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Justiça

Demolições para sede de Tarcísio em SP preocupam moradores com indenizações

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) iniciou demolições nos Campos Elíseos, no centro de São Paulo, para abrir espaço à futura sede administrativa estadual. Moradores dos edifícios Henrique e Princesa, que também devem sair do local, temem que a destruição dos imóveis vizinhos reduza o valor de suas indenizações. Com informações de Folha de S.Paulo.

A escavadeira já remove entulho de construções na alameda Barão de Piracicaba, atrás do edifício Henrique. O professor de música Sérgio Solimando, de 61 anos, mora no prédio desde 2009 e reclama que o Estado ainda não abriu diálogo sobre a compensação pelas unidades. “Eles estão demolindo tudo e ninguém veio conversar com a gente ainda”, disse.

O edifício Henrique, inaugurado há 70 anos, tem dez andares e será demolido. O mesmo destino está previsto para todos os imóveis da quadra 48, a única nas imediações do parque Princesa Isabel que o projeto esvaziará integralmente para a instalação do centro administrativo.

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) afirma que derruba apenas prédios que já estão sob posse legal do Estado. O órgão declarou que os imóveis haviam sido lacrados pelo Ministério Público em operações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e que começou a retirar os escombros para evitar a degradação da área.

Moradores cobram avaliação antes do avanço das obras

Os proprietários pedem que o governo avalie os apartamentos antes de avançar nas demolições do entorno, mas a solicitação não será atendida neste momento. A CDHU informou que a concessionária responsável pelo novo centro administrativo conduzirá as negociações de desapropriação.

O consórcio MEZ-RZK Novo Centro, vencedor da licitação, declarou que ainda não assinou contrato com o governo estadual e, por isso, não tem respaldo legal para iniciar tratativas com os moradores. Odair Paulo Tognon, subsíndico do edifício Henrique, disse que a ausência de interlocutor deixou os proprietários “em um limbo institucional”.

Silvio Monteiro de Lima, geógrafo de 56 anos e dono de um apartamento de 60 metros quadrados no edifício Princesa há duas décadas, estima que o imóvel valha cerca de R$ 300 mil. Ele afirma que o montante já não permite comprar outra moradia no centro e teme nova perda de valor. “O temor é que meu imóvel se deprecie ainda mais”, afirmou.

O advogado Alex Lamartine Franco, que representa moradores dos dois condomínios, cita desapropriações feitas na região em 2017. Na ocasião, a Cohab tentou aplicar o chamado “fator favela”, índice depreciativo que resultou em ofertas 66,66% menores do que o valor original do metro quadrado para imóveis próximos às cenas abertas de uso de drogas.

Franco também relatou resistência dos moradores à entrada de peritos enviados pela CDHU para vistoriar os prédios. Eles receiam que trincas anteriores às demolições sirvam para afastar eventual responsabilidade do Estado por danos causados pela vibração das máquinas. A CDHU disse que os laudos buscam resguardar os direitos dos proprietários e moradores diante das futuras demolições.

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