Um dos principais porta-aviões dos Estados Unidos vive um momento de tensão após permanecer mais de 250 dias ininterruptos no mar. O USS Abraham Lincoln, enviado ao Oriente Médio para apoiar as operações americanas no conflito com o Irã, tornou-se alvo de relatos sobre problemas de saúde mental, alimentação e condições enfrentadas pelos cerca de 5 mil integrantes de sua tripulação.
O período supera significativamente o tempo habitual de uma missão desse tipo. Normalmente, as tripulações permanecem embarcadas por aproximadamente seis meses, ou cerca de 180 dias.
Diante da repercussão das denúncias na imprensa americana, os Estados Unidos decidiram enviar o USS George Washington, que estava nas proximidades da Malásia, para substituir o USS Lincoln, segundo a CBS News.
O governo americano, porém, contesta que a situação a bordo tenha chegado ao nível descrito nos relatos.
Trump minimiza situação
Questionado sobre o período enfrentado pelos militares, o presidente Donald Trump minimizou a duração da missão.
— Não é tempo suficiente — respondeu.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, também rejeitou as informações sobre uma crise a bordo. Na quinta-feira (13), classificou os relatos como “completamente distorcidos”.
As declarações provocaram reação do senador Ruben Gallego, que afirmou ter recebido informações diretamente de familiares de integrantes da tripulação.
— Estou conversando com uma esposa de militar que está me encaminhando as mensagens de texto do marido dela. Eles estão levando nossos militares ao limite — escreveu o senador nas redes sociais.
Relatos preocupam familiares
As denúncias publicadas pelo Military Times e pelo Stars & Stripes apresentam um cenário de desgaste entre integrantes da tripulação.
De acordo com essas publicações, familiares de militares afirmaram que há relatos de problemas de saneamento básico, encanamentos quebrados e alimentação escassa no porta-aviões.
As informações mais graves envolvem a saúde mental. Segundo os relatos reproduzidos pela imprensa americana, alguns tripulantes estariam cogitando se jogar ao mar.
As autoridades americanas, entretanto, negam que o quadro geral da embarcação corresponda à situação apresentada nessas denúncias.
Mais de 250 dias longe de casa
O USS Abraham Lincoln deixou a Califórnia em novembro e seguiu inicialmente em direção ao Mar da China Meridional.
O planejamento da missão mudou antes dos ataques americanos contra o Irã, em fevereiro. O porta-aviões foi deslocado para o Oriente Médio e permaneceu na região desde então.
A permanência prolongada fez com que a missão ultrapassasse 250 dias consecutivos no mar, ampliando a pressão sobre militares e familiares.
A substituição pelo USS George Washington poderá finalmente permitir o retorno da tripulação após meses de operação.
Um gigante da Marinha americana
O USS Abraham Lincoln é o quinto porta-aviões da classe Nimitz, uma das mais importantes famílias de navios de guerra da Marinha dos Estados Unidos.
A embarcação foi adquirida pela Marinha americana em 1984 e integra a estrutura militar usada por Washington para projetar poder em diferentes regiões do planeta.
Porta-aviões desse porte funcionam como verdadeiras bases militares móveis, transportando milhares de pessoas, aeronaves e uma ampla estrutura operacional.
A longa permanência do USS Lincoln no mar, porém, colocou as condições enfrentadas pela tripulação no centro do debate nos Estados Unidos.



