A cúpula das Forças Armadas brasileiras avalia como improvável que os planos dos Estados Unidos para realizar operações terrestres contra narcotraficantes na América Latina atinjam o Brasil. Segundo interlocutores militares ouvidos pela coluna da Bela Megale, do Globo, uma ação direta em território brasileiro dependeria de cooperação das instituições nacionais, especialmente do Exército.
A avaliação considera a extensão e a complexidade da fronteira brasileira, que se estende por quase 17 mil quilômetros e alcança dez países sul-americanos. Para os militares, qualquer movimentação estrangeira em uma área desse porte exigiria coordenação com estruturas brasileiras de defesa, segurança e inteligência.
A leitura também é a de que Washington reconhece o Brasil como rota e entreposto relevante para o tráfico internacional, mas não como grande produtor de drogas. A dimensão territorial e a presença das Forças Armadas nas regiões de fronteira são apontadas como fatores que tornam improvável uma intervenção terrestre sem participação brasileira.
O alerta surgiu após o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, defender no Panamá uma ofensiva mais ampla contra cartéis e traficantes na América Latina. A retórica de Washington já havia causado preocupação no governo brasileiro depois de os EUA classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Até agora, não houve anúncio de operação norte-americana no Brasil. O movimento concreto divulgado nesta semana envolve a Colômbia, cujo novo governo pediu colaboração dos Estados Unidos em ações conjuntas contra o chamado “narcoterrorismo”, segundo a Associated Press.
A posição da cúpula militar não elimina a tensão regional provocada pela nova política de Washington, mas indica que, na avaliação dos próprios comandantes brasileiros, o país não está no centro da estratégia terrestre anunciada pelos EUA.


