O Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC) concedeu uma autorização preliminar e condicional para a criação da World Liberty Trust Company, banco fiduciário ligado à World Liberty Financial, empresa de criptomoedas que tem como cofundadores Donald Trump Jr, Eric Trump e Barron Trump. A decisão foi publicada na sexta-feira (14).
O aval preliminar não permite a operação da instituição, já que a empresa ainda precisa cumprir uma série de exigências e passar por inspeções, antes de obter a aprovação definitiva do OCC.
O OCC é chefiado por Jonathan Gould, indicado pelo presidente Donald Trump, embora o órgão afirme que a análise e a decisão foram conduzidas por servidores de carreira. A senadora democrata Elizabeth Warren classificou o episódio como favorecimento próprio. Em 2025, Trump declarou ter recebido US$ 526,8 milhões com a venda de tokens da World Liberty Financial.
Caso receba a licença definitiva, a World Liberty Trust poderá emitir e resgatar a USD1, stablecoin vinculada ao dólar, administrar as reservas que dão lastro à criptomoeda e oferecer serviços de custódia e conversão a clientes institucionais. Atualmente, essas atividades são realizadas pela BitGo.
A instituição não funcionará como um banco comercial convencional: não poderá conceder empréstimos nem captar depósitos cobertos pelo seguro federal da Corporação Federal de Seguro de Depósitos dos Estados Unidos (FDIC).
As condições impostas incluem capital mínimo de US$ 20 milhões, manutenção de pelo menos US$ 10 milhões em ativos líquidos e uma reserva equivalente a 180 dias de despesas operacionais. O banco terá ainda de implantar controles contra lavagem de dinheiro, cumprir sanções financeiras e seguir a Lei de Sigilo Bancário.
Se as operações com a USD1 não se adequarem à Lei Genius, que regulamenta as stablecoins de pagamento, o OCC poderá obrigar a instituição a modificá-las, encerrá-las ou se desfazer dessas atividades.
O órgão regulador afirmou que possíveis violações da Cláusula de Emolumentos da Constituição e os investimentos estrangeiros na World Liberty Financial estavam fora do alcance da análise, porque a empresa e seus investidores não eram formalmente partes do pedido de licença.
O OCC exigiu compromissos para impedir que investidores indiretos interfiram na administração do banco, mas não resolveu a controvérsia mais ampla. Representantes de um integrante da família real de Abu Dhabi compraram 49% da World Liberty Financial por US$ 500 milhões, em uma operação que teria destinado US$ 187 milhões a entidades ligadas à família Trump.



