O bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos é um procedimento usado no tratamento de alguns tipos de dor de cabeça persistente, especialmente quando o quadro não melhora com medicamentos orais. A técnica pode ser indicada em casos de enxaqueca grave, cefaleia cervicogênica e cefaleia em salvas. Com informações do Globo.
O tratamento consiste na aplicação de anestésicos próximos aos nervos relacionados à transmissão da dor. Em algumas situações, os médicos também podem utilizar corticosteroides. A injeção não é feita no cérebro nem diretamente no crânio, mas em pontos próximos aos nervos, geralmente em regiões superficiais da cabeça.
Os nervos bloqueados com mais frequência são o occipital maior e o occipital menor, localizados na parte posterior da cabeça, logo abaixo da pele. Eles fazem parte de vias associadas a dores como as da enxaqueca. Ao interromper temporariamente esses sinais, o procedimento pode reduzir a intensidade da dor e oferecer alívio ao paciente.
A aplicação costuma ser feita por neurologista e, em geral, ocorre em ambiente ambulatorial. Dependendo do quadro clínico, porém, o médico pode recomendar a realização em hospital. O procedimento dura cerca de 30 minutos, seguido de ao menos 15 minutos de observação para monitorar possíveis reações imediatas.
Segundo o Instituto Neurológico de Cuiabá, os efeitos podem surgir logo após a aplicação, embora alguns pacientes só percebam melhora depois de dois ou três dias. A duração do alívio varia conforme o tipo de dor, a gravidade do quadro e a resposta individual ao tratamento.
Os efeitos adversos são considerados raros e, na maioria das vezes, transitórios. Entre as reações possíveis estão dormência ou formigamento no local da aplicação, inflamação discreta, sangramento local, aumento temporário da dor, tontura ou desmaio nas primeiras 48 horas. Em menos de 1% dos pacientes, pode haver perda de cabelo ou afinamento da pele no ponto da aplicação, sobretudo em bloqueios repetidos com corticoide.
O tema ganhou repercussão após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro receber um bloqueio anestésico no hospital DF Star, em Brasília, para tratar um quadro persistente de cefaleia. Segundo nota divulgada em seu Instagram, ela passou por exames antes do procedimento e teve alta no domingo, após apresentar “resposta satisfatória”.