A direção estadual do PSB em Minas Gerais definiu, às vésperas do encerramento do prazo para as convenções partidárias, a formação de uma aliança com o PT para a disputa pelo governo do estado. Pelo acordo, o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares será o candidato a vice-governador na chapa liderada pelo deputado federal Patrus Ananias (PT-MG).
A composição também prevê uma chapa ao Senado formada pela ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) e pela ex-deputada federal Áurea Carolina, indicada pela federação formada por PSOL e Rede Sustentabilidade.
A definição encerra semanas de negociações entre as legendas e consolida, em Minas Gerais, a estratégia de reproduzir a aliança firmada nacionalmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Negociação foi concluída no limite do prazo
As tratativas entre os partidos se estenderam até a noite desta quarta-feira (5), poucas horas antes do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para a realização das convenções e a oficialização das chapas que disputarão as eleições de outubro.
Desde que Patrus Ananias foi escolhido como candidato ao Palácio Tiradentes, dirigentes petistas e socialistas defendiam a construção de uma candidatura conjunta. O objetivo era repetir, no principal colégio eleitoral do Sudeste depois de São Paulo, a parceria política que une PT e PSB no governo federal.
Apesar do consenso entre as cúpulas nacionais, o acordo enfrentou resistências dentro do diretório mineiro do PSB.
Resistência interna marcou as negociações
Nos bastidores, integrantes da ala conhecida como “municipalista” defenderam, inicialmente, que o partido lançasse candidatura própria ao governo de Minas Gerais.
Paralelamente às conversas com o PT, a direção estadual também abriu negociações com o PDT, legenda que lançará o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil na disputa pelo governo estadual.
Mesmo diante dessas alternativas, prevaleceu a orientação da direção nacional do PSB, presidida por João Campos, ex-prefeito do Recife, que determinou a manutenção da aliança com o PT em Minas.
A decisão reforça a estratégia nacional da legenda de ampliar a integração com os partidos da base governista em estados considerados estratégicos para a eleição.
Jarbas Soares superou outros nomes cotados
Antes da definição, outros nomes chegaram a ser avaliados para ocupar a vaga de vice na chapa de Patrus Ananias.
Entre eles estava o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente da República José Alencar. Nos bastidores, ele era apontado por integrantes do PT como o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compor a chapa.
As negociações, contudo, não avançaram, abrindo espaço para a escolha de Jarbas Soares, que passou a reunir maior consenso entre as duas legendas.
O ex-procurador-geral de Justiça também havia articulado, nas últimas semanas, uma possível candidatura ao Senado em uma composição ao lado de Marília Campos. O desenho final da coligação, entretanto, levou o PT a reservar a segunda vaga ao Senado para Áurea Carolina, contemplando a participação da federação PSOL-Rede na aliança estadual.
PSB amplia espaço na composição eleitoral
Além da indicação do candidato a vice-governador, o PSB conquistou espaço na formação da chapa ao Senado.
O acordo garantiu ao partido a indicação das duas suplências de Marília Campos. Os nomes escolhidos foram a advogada e empresária Luciana Duca e o ex-prefeito de Guaranésia Laércio Cintra, que também atuou como assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSB).
Com a definição, PT, PSB, PSOL e Rede consolidam uma frente eleitoral de centro-esquerda em Minas Gerais, encerrando um período de intensas negociações e alinhando a estratégia estadual ao projeto político defendido nacionalmente pelas legendas.
A expectativa agora é que as convenções partidárias oficializem os nomes definidos nas negociações, permitindo o início da campanha eleitoral dentro do calendário estabelecido pela Justiça Eleitoral.