Mensagens anexadas a um inquérito da Polícia Federal e divulgadas nesta terça-feira (25) pela revista Veja mostram a empresária e lobista Roberta Luchsinger relatando a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que o empresário Kalil Bittar teria criado um perfil falso nas redes sociais para publicar críticas contra a primeira-dama Janja Lula da Silva. Os diálogos teriam ocorrido em 29 de junho de 2025.
Kalil Bittar é sócio de Lulinha e irmão do empresário Fernando Bittar. Segundo a reportagem, Roberta também afirmou nas conversas que Kalil estaria utilizando o nome de Lulinha e a proximidade com o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar viabilizar negócios relacionados à Telebras. A lobista relatou ainda ter procurado um interlocutor próximo à direção da estatal para dizer que Kalil não representaria Lulinha nas tratativas.

Em outro trecho divulgado pela revista, Roberta menciona a suposta criação do perfil destinado a criticar Janja ao relatar a conversa que teria mantido com esse interlocutor. As mensagens foram recuperadas no âmbito da investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência e a eventual atuação de Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar na interlocução de interesses privados junto a órgãos públicos. A PF sustenta, no inquérito, a existência de uma possível atuação coordenada entre integrantes do grupo, hipótese que ainda está sob investigação.
A existência das mensagens não comprova, por si só, que Kalil Bittar tenha criado ou administrado o perfil mencionado por Roberta, nem demonstra que eventual negociação com a Telebras tenha ocorrido de forma irregular. Nesse ponto, os diálogos registram afirmações feitas pela própria lobista durante uma conversa privada, e a responsabilidade por qualquer conduta somente pode ser estabelecida a partir do conjunto das provas e da conclusão das autoridades competentes.
Em reportagens relacionadas ao mesmo inquérito, as defesas de Lulinha e de outros investigados têm negado irregularidades e questionado conclusões atribuídas às apurações. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, também determinou que a PF investigue o vazamento de informações sigilosas dos inquéritos envolvendo Lulinha.




