O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá se encontrar pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula do G7, prevista para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho. O possível encontro acontece em meio à repercussão da decisão do governo americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Embora o Brasil não integre o grupo das sete maiores economias do mundo, Lula foi convidado para participar da reunião e já sinalizou interesse em comparecer. A Casa Branca também confirmou a presença de Trump no encontro internacional.
Caso seja confirmado, o encontro marcará a primeira conversa direta entre Lula e Trump após o aumento das divergências entre Brasília e Washington sobre temas relacionados ao combate ao crime organizado e à atuação internacional na área de segurança pública.
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos provocou reações no cenário político brasileiro e abriu um novo capítulo nas discussões sobre cooperação internacional no enfrentamento às facções criminosas.
Mais cedo, o Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial criticando a medida adotada pelos Estados Unidos. Segundo o governo federal, a soberania nacional é considerada um princípio inegociável e o combate ao crime deve respeitar a autonomia das instituições brasileiras.
Na mesma manifestação, integrantes do governo também acusaram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de estimularem interferências externas em assuntos internos do Brasil.
Durante agenda oficial em Sergipe, Lula afirmou que PCC e Comando Vermelho representam graves ameaças à segurança pública, mas defendeu que o enfrentamento às organizações criminosas deve ser conduzido pelas autoridades brasileiras.
Segundo o presidente, as ações de combate ao crime organizado precisam ser executadas dentro das competências das instituições nacionais, sem interferência de governos estrangeiros.
O presidente também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que havia comemorado a decisão do governo americano após compromissos realizados nos Estados Unidos.
De acordo com Lula, a defesa de medidas externas relacionadas à segurança pública brasileira contraria os interesses nacionais. As declarações ampliaram o debate político em torno da decisão americana e seus possíveis reflexos nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
A eventual reunião entre Lula e Trump é vista como uma oportunidade para discutir temas estratégicos da agenda bilateral, incluindo segurança pública, cooperação internacional e relações diplomáticas entre os dois países.
Com a aproximação da cúpula do G7, a expectativa é de que novas informações sobre a agenda dos líderes sejam divulgadas pelas autoridades responsáveis pela organização do encontro.
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