O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Partido dos Trabalhadores decidiram abrir mão da cabeça de chapa em cerca de metade dos estados nas eleições de 2026 para montar palanques com nomes considerados mais competitivos. O PT terá candidato próprio a governador em 12 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula já fechou palanques em todas as unidades da Federação. Com informações de Metrópoles.
Nos demais estados, Lula vai apoiar partidos aliados e siglas que não necessariamente estarão com ele na disputa presidencial. O PT fechou apoio ao PSD, partido do pré-candidato Ronaldo Caiado, em Mato Grosso, Sergipe, Amazonas, Tocantins e Rio de Janeiro. Em Alagoas e no Pará, a legenda apoiará nomes do MDB, que liberou seus diretórios estaduais para escolherem o palanque presidencial.
O partido de Lula também vai apoiar o PP na Paraíba e o União Brasil no Amapá. As duas legendas formam a Federação União Progressista, que decidiu manter neutralidade na corrida presidencial. Na esquerda, o PT apoiará candidatos do PDT no Rio Grande do Sul e no Paraná, além de nomes do PSB em Santa Catarina, Pernambuco e Acre.
Ao comentar a montagem dos palanques estaduais em abril, Lula defendeu alianças com partidos fora do campo progressista. “Não se faz composição apenas com quem você gosta. Quem você gosta já está com você. Você tem que fazer composição com as pessoas que pensam diferente, mas que são capazes de construir minimamente um projeto para um estado o para o país”, disse.
PT reduz candidaturas próprias e mira Senado
A escolha dá sequência a uma mudança de rota iniciada em eleições anteriores. Na década de 1990, o PT lançava muitos candidatos a governador para marcar posição contra governos locais e disputar a liderança da esquerda com o PDT. Em 2002, quando Lula tinha chances reais de vencer a Presidência, a sigla aderiu a alianças mais amplas e lançou 10 candidatos estaduais, com composições que incluíram PL, PP, PTB e PMDB.
O partido voltou a ampliar a presença nas disputas estaduais em 2014, quando teve 17 candidatos a governador, mas reduziu o número desde então. Em 2022, lançou 13 nomes e venceu em quatro estados. A meta para 2026, segundo dirigentes petistas ouvidos pelo Metrópoles, é preservar os governos conquistados, reeleger Lula e ampliar as bancadas governistas no Senado e na Câmara.
Com 54 cadeiras do Senado em disputa, Lula priorizou a Casa Alta e pediu a integrantes do governo que concorressem ao cargo. Dirigentes petistas estimam que será necessário eleger entre 25 e 30 senadores governistas para facilitar um eventual quarto mandato. O presidente do PT, Edinho Silva, chamou a disputa pelo Senado de “grande desafio” e afirmou: “Para o bem da democracia brasileira, é fundamental que a gente faça maioria no Senado e impeça que esse pensamento autoritário eleja a maioria dos senadores nas eleições de 26”.
Nove ministros aceitaram disputar o Senado, entre eles Marina Silva, Simone Tebet e Gleisi Hoffmann. O único nome do alto escalão do governo Lula que deve concorrer a governador é Renan Filho, ex-ministro dos Transportes, em Alagoas. Nos governos estaduais, o PT concentrará esforços para manter Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí; no Sul, pela primeira vez, não terá candidato próprio a governador em nenhum dos três estados e apoiará Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul, Requião Filho (PDT) no Paraná e Gelson Merisio (PSB) em Santa Catarina.