Um mês após a abertura de seis estações da Linha 6-Laranja, em São Paulo, passageiros ainda encontram obras, tapumes, poeira, escadas rolantes desligadas e elevadores em manutenção. O ramal opera em fase assistida, enquanto a concessionária Linha Uni conclui intervenções e testa sistemas.
Os trens passaram a circular com intervalos de cinco a sete minutos, depois de esperas que chegaram a quase 20 minutos nos primeiros dias. Apesar da melhora na frequência, equipamentos de acessibilidade e acabamentos permanecem pendentes em diferentes pontos do trajeto.
A Linha Uni informou que transportou 42.239 passageiros entre 3 e 31 de julho, média de 2.223 pessoas por dia. O fluxo caiu após as filas e a curiosidade da inauguração, embora passageiros ainda percorram o ramal para fotografar e gravar vídeos nas estações.
A estação João Paulo 1º, na Brasilândia, concentrou o maior número de usuários no período, com 10.861 passageiros, seguida por Sesc-Pompeia, Água Branca, Freguesia do Ó, Santa Marina e Perdizes. As seis estações abertas integram a primeira fase do projeto.
Estações ainda têm escadas rolantes e elevadores fora de serviço
Na Freguesia do Ó, poucas escadas rolantes funcionavam e um elevador seguia em manutenção. O canteiro de obras também continuava instalado no entorno. A costureira Maria Aparecida, de 69 anos, moradora do bairro, disse que a população aguardava o metrô havia anos, apesar dos transtornos causados pela longa execução do projeto.
“A gente estava muito ansioso por isso aqui. Faz muitos anos que essa obra ficou parada e prejudicou muita coisa”, afirmou à Folha de S.Paulo. Ela relatou que comércios da região sofreram durante a construção e espera uma reorganização do bairro com a chegada do serviço.
Em Santa Marina, a escada rolante usada por passageiros que desembarcam continuava parada. A vistoria não encontrou as goteiras e o piso molhado observados na abertura, mas havia poeira no local. Em Sesc-Pompeia, faltavam acabamentos perto das escadas, algumas delas estavam desligadas e um elevador passava por manutenção.
Perdizes ainda tem máquinas, equipamentos, tapumes e pontos com acabamento pendente no saguão. As portas de plataforma permaneciam abertas em todas as estações, porque os equipamentos de segurança ainda não operam de forma integrada. A Linha Uni prevê concluir a primeira fase até o fim de 2026, e a Artesp afirma que a operação gradual atende aos requisitos de segurança previstos para esta etapa.