O biólogo Mario Moscatelli voltou a chamar atenção para o descarte irregular de resíduos no Complexo Lagunar da Barra e Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Em um vídeo publicado nesta sexta-feira (17), o ambientalista registrou 18 sofás abandonados em apenas 58 segundos de navegação pela Lagoa da Tijuca, nas proximidades da comunidade de Rio das Pedras.
Além dos móveis, as imagens mostram pneus e diversos outros resíduos sólidos espalhados às margens da lagoa. O registro reforça um problema ambiental denunciado por Moscatelli há mais de três décadas.
Vídeo denuncia descarte irregular
Conhecido por acompanhar a situação ambiental das lagoas da Barra e Jacarepaguá, Mario Moscatelli utiliza frequentemente imagens aéreas e registros em campo para denunciar o descarte irregular de lixo nos corpos hídricos da região.
Segundo o biólogo, os sofás já se tornaram um símbolo da degradação ambiental enfrentada pelo sistema lagunar, que recebe diariamente resíduos descartados de forma irregular.
Lixo ameaça recuperação das lagoas
Atualmente consultor do projeto Juntos pela Vida das Lagoas, da concessionária Iguá Rio, Moscatelli afirma que os investimentos realizados para recuperar o complexo podem perder efeito caso o descarte irregular continue.
De acordo com ele, mesmo com a instalação de ecobarreiras, ações de dragagem e investimentos de cerca de R$ 250 milhões previstos em contrato, uma grande quantidade de resíduos segue chegando aos rios que deságuam nas lagoas.
O especialista alerta que a utilização dos cursos d’água como depósito de lixo compromete rapidamente os trabalhos de recuperação ambiental.
Risco de enchentes e doenças
Segundo Moscatelli, o acúmulo de móveis, pneus e outros resíduos contribui para o assoreamento das lagoas, reduzindo sua profundidade e dificultando a circulação da água.
Esse cenário aumenta a vulnerabilidade da região a enchentes e favorece a proliferação de doenças, afetando diretamente a população do entorno.
Para o biólogo, os impactos vão além da degradação ambiental e representam também um problema de saúde pública.
Limpeza não resolve sozinha
O ambientalista destaca que o projeto desenvolvido pela Iguá Rio já retirou mais de 300 toneladas de lixo dos manguezais do Complexo Lagunar, principalmente na região do Camorim.
Apesar disso, ele afirma que a limpeza, por si só, não é suficiente para resolver o problema. Na avaliação do especialista, a recuperação definitiva das lagoas depende da combinação entre educação ambiental, fiscalização e responsabilização de quem realiza o descarte irregular de resíduos.