O julgamento de Duane “Keffe D” Davis, acusado de envolvimento na morte de Tupac Shakur, começa nesta segunda-feira, 10 de agosto, em Las Vegas, nos Estados Unidos. O processo ocorre quase três décadas depois do assassinato do rapper, ocorrido em setembro de 1996.
A promotoria pretende demonstrar que Davis, então integrante de uma gangue de Los Angeles, organizou o ataque e forneceu a arma utilizada no crime. Aos 63 anos, ele enfrenta a possibilidade de prisão perpétua sem direito à liberdade condicional caso seja condenado.
Tupac foi baleado quando estava em um BMW dirigido por Marion “Suge” Knight, fundador da Death Row Records. Os dois estavam em Las Vegas para acompanhar uma luta de boxe de Mike Tyson quando um Cadillac se aproximou e os ocupantes abriram fogo. O rapper morreu seis dias depois, aos 25 anos.
Rivalidade entre gangues marcou investigação
A acusação sustenta que o assassinato ocorreu em meio à rivalidade entre grupos ligados às gravadoras Death Row Records, de Los Angeles, e Bad Boy Records, de Nova York. Tupac era um dos principais nomes da cena da Costa Oeste, enquanto Christopher “The Notorious B.I.G.” Wallace representava a Costa Leste.
Horas antes do ataque, Tupac e Suge Knight teriam participado de uma agressão contra Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis. O episódio teria ocorrido após a luta de Tyson, no cassino MGM Grand, e, segundo os promotores, motivado um plano de vingança.
A investigação permaneceu sem uma acusação criminal durante décadas. O caso ganhou novo impulso após a publicação, em 2019, das memórias de Davis, nas quais ele relatou estar no banco da frente do Cadillac usado no ataque e afirmou ter passado uma arma para os ocupantes do banco traseiro.
Réu contesta declarações e diz ser inocente
As declarações feitas por Davis, que também eram compatíveis com entrevistas anteriores, passaram a ser usadas pelas autoridades na investigação. Ele foi preso em setembro de 2023 e posteriormente acusado de participação no assassinato de Tupac.
Atualmente, porém, Davis nega ter cometido o crime. Em entrevista concedida da prisão em 2025, ele afirmou ser inocente e disse que as autoridades não possuem provas capazes de colocá-lo em Las Vegas na noite do assassinato.
A defesa também tenta questionar o uso de suas memórias e de um interrogatório policial realizado em 2008. Segundo Davis, o livro teria sido escrito principalmente por seu coautor e conteria elementos ficcionalizados para fins comerciais.
Processo pode não encerrar todas as dúvidas
A seleção dos jurados deve durar aproximadamente uma semana antes do início efetivo dos argumentos e da apresentação das provas. Mesmo com uma eventual condenação ou absolvição, o julgamento dificilmente encerrará todas as dúvidas que cercam a morte de Tupac.
Em maio, o meio-irmão do rapper entrou com uma ação civil alegando que outras pessoas ainda poderiam estar envolvidas no assassinato e não teriam sido responsabilizadas.
O caso também voltou a envolver o nome de Sean “P. Diddy” Combs. Uma produção documental recente menciona declarações atribuídas a Davis durante um interrogatório, nas quais ele teria afirmado que Combs ofereceu US$ 1 milhão para matar Tupac. A alegação, no entanto, faz parte das acusações e declarações apresentadas no contexto do caso e não representa uma conclusão judicial sobre a participação de Combs no assassinato.