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Idosa é resgatada após 52 anos em condição análoga à escravidão no RJ

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Idosa é resgatada após 52 anos em condição análoga à escravidão no RJ

Uma idosa de 69 anos foi resgatada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, após passar 52 anos trabalhando em condições análogas à escravidão. Segundo a Auditoria Fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ela nunca teve a carteira assinada, não recebia salário regular e trabalhava sem direito a folgas.

O resgate aconteceu no dia 15 de julho durante uma operação conjunta entre auditores-fiscais do Trabalho e procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT). No momento da fiscalização, a mulher cuidava da empregadora, uma idosa acamada que necessitava de assistência permanente.

Fiscalização encontrou graves irregularidades

De acordo com os órgãos responsáveis pela operação, a trabalhadora foi submetida a uma série de violações de direitos ao longo de mais de cinco décadas.

A fiscalização identificou elementos que caracterizam situação análoga à escravidão, como trabalho forçado, condições degradantes e jornada exaustiva.

Segundo o auditor-fiscal do Trabalho Raul Vital, coordenador da operação, durante todo esse período não houve registro formal do vínculo empregatício nem pagamento regular de salários.

Além disso, a mulher relatou aos agentes que não visitava seus familiares havia cinco anos. Conforme a fiscalização, ela estudou apenas até o ensino primário.

Empregadores alegaram que era “parte da família”

Durante a ação, os empregadores afirmaram que a trabalhadora era considerada “como parte da família”.

Entretanto, para os órgãos de fiscalização, essa justificativa não elimina as obrigações legais nem afasta as condições encontradas durante a inspeção.

Indenização supera R$ 600 mil

Após o resgate, a idosa foi levada por familiares para outro estado.

Também foi firmado um acordo prevendo o pagamento de verbas rescisórias, indenização e outros direitos trabalhistas. O valor estimado supera R$ 600 mil.

Trabalho doméstico ainda esconde casos de exploração

Para a procuradora do Trabalho Tathiane Menezes do Nascimento, o caso evidencia a importância das denúncias e da atuação conjunta dos órgãos públicos.

Segundo ela, situações de exploração no trabalho doméstico costumam permanecer ocultas por muitos anos, dificultando a identificação das vítimas e a responsabilização dos envolvidos.

O caso reforça o desafio enfrentado pelas autoridades no combate ao trabalho escravo contemporâneo, especialmente dentro de residências, onde esse tipo de violação costuma ocorrer de forma silenciosa e longe da fiscalização.

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