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ICE prende professor brasileiro de jiu-jítsu e alunos pedem soltura

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ICE prende professor brasileiro de jiu-jítsu e alunos pedem soltura

O brasileiro Thiago Brito, faixa-preta e professor de jiu-jítsu, foi detido pelo ICE no Aeroporto Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos, quando embarcava para Orlando, na Flórida. Aos 34 anos, ele dava aulas havia uma década na Pensilvânia e viajaria para acompanhar alunos no Pan Kids, campeonato da modalidade.

A detenção desencadeou uma campanha organizada por crianças, adolescentes e familiares ligados às academias onde Brito trabalhava. Os alunos enviaram cartas, desenhos e fotos com o treinador às redes sociais para pedir sua libertação e arrecadar dinheiro para os custos jurídicos.

Liam Karas, de 14 anos, escreveu que o professor funciona como um “terceiro pai” para ele. “Viajei, competi e treinei com ele por 7 anos. Ele não apenas me tornou melhor fisicamente, mas também mentalmente, e me ensinou lições de vida que levarei comigo pelo resto da minha vida”, afirmou.

Landry, de 9 anos, também mandou uma mensagem a favor do brasileiro. “O Thiago me ajuda quando eu cometo erros. Ele me diz que está tudo bem e que os erros me tornam melhor. Então, se ele cometeu um erro, isso também vai torná-lo melhor”, escreveu a criança.

Famílias arrecadam recursos para defesa do brasileiro

Rhianon Kearns, mãe de um dos alunos, afirmou em vídeo que Brito acompanhou crianças da comunidade seis dias por semana nos últimos cinco anos. “Sabe muito mais das crianças dessa comunidade do que muitas pessoas que nasceram aqui. Fez mais para essa comunidade do que a maioria que nasceu aqui”, disse.

A campanha de arrecadação ultrapassou US$ 28 mil, cerca de R$ 143 mil, até a tarde de segunda-feira (03), com meta de US$ 35 mil. O dinheiro deve cobrir despesas da defesa do professor, que se mudou para os Estados Unidos após receber um convite para atuar como treinador.

Brito entrou no país com visto de turista B2, que permite permanência de até seis meses. Familiares relataram que ele tentou obter uma autorização de trabalho, mas teve o pedido negado. A fiscalização do ICE em aeroportos aumentou, inclusive em voos domésticos, com foco em imigrantes que estão com vistos vencidos.

Em julho, as autoridades americanas mantinham mais de 46 mil imigrantes sob custódia, média de cerca de 1.500 detenções diárias, informou a CBS. O governo de Donald Trump declarou que pretende alcançar 2.000 detenções de pessoas em situação migratória irregular por dia.

Depois da abordagem no aeroporto, agentes levaram Brito ao Centro de Detenção Federal da Filadélfia e depois ao presídio Moshannon Valley, em Philipsburg, também na Pensilvânia. Ele contou à família que enfrentou a transferência algemado nos pés e nas mãos, embora a unidade o classifique como detento de baixa periculosidade.

O professor aguarda uma audiência de custódia e busca atendimento médico para problemas de saúde anteriores à prisão. No Moshannon Valley, que tem capacidade para 1.870 pessoas e abriga exclusivamente imigrantes, há outros 17 brasileiros detidos. O ICE não respondeu sobre a acusação formal contra Brito nem sobre suas condições de custódia.

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