O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (12) que a Colômbia autorizou a realização de operações militares conjuntas em seu território para combater organizações classificadas por Washington como terroristas e redes ligadas ao narcotráfico.
O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, durante uma reunião em Ciudad de Panamá. Segundo ele, o novo governo colombiano, comandado por Abelardo de la Espriella, pediu a participação do Departamento de Guerra — nome que Hegseth prefere usar, embora o Congresso americano ainda não tenha aprovado oficialmente a mudança de denominação — nas ações contra o chamado “narcoterrorismo”.
“A Colômbia já solicitou que o Departamento de Guerra se some à sua luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas”, afirmou Hegseth.
A aproximação marca uma mudança significativa na relação entre Bogotá e Washington após o período de atritos entre o governo americano e o ex-presidente colombiano Gustavo Petro. Menos de uma semana depois da posse de De la Espriella, os dois governos já sinalizam uma cooperação militar muito mais estreita.
Colômbia no Escudo das Américas
Hegseth também confirmou a entrada da Colômbia no chamado Escudo das Américas, coalizão criada pelo governo de Donald Trump para ampliar a cooperação entre países do continente no combate ao narcotráfico.
A aliança já reúne 18 países. A adesão colombiana era uma das principais promessas de política externa de De la Espriella durante a campanha presidencial. Em seu primeiro discurso como presidente, ele defendeu uma ofensiva “sem trégua” contra o narcoterrorismo e as organizações criminosas.
O novo ministro da Defesa colombiano, Jorge Mora, participou da reunião com Hegseth e assinou a inclusão do país na coalizão. Para o secretário americano, o acordo representa “o início de uma nova etapa” na cooperação de defesa entre os dois países.
A parceria coloca à disposição do governo colombiano recursos militares e de inteligência dos Estados Unidos para enfrentar dezenas de grupos armados que atuam no país.
🚨URGENTE – Colômbia solicitou e autorizou os Estados Unidos a lançarem operações conjuntas em território colombiano para combater o narcoterrorismo pic.twitter.com/qoYDWgMnma
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) August 12, 2026
EUA ampliam presença militar na América Latina
A Colômbia é o mais recente país latino-americano a estabelecer uma cooperação militar desse tipo com Washington.
Em março, o Equador anunciou operações conjuntas com os Estados Unidos contra organizações que o governo americano classifica como terroristas, entre elas Los Lobos e Los Choneros. Em junho, Washington também atuou em conjunto com o governo venezuelano em uma operação contra o Tren de Aragua, uma das principais organizações criminosas da região.
A política representa uma ampliação da presença militar americana na América Latina durante o segundo governo Trump.
Desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tem defendido uma política externa centrada no aumento da influência dos Estados Unidos no continente. A estratégia é frequentemente associada a uma nova versão da Doutrina Monroe, formulada no século XIX.
Durante seu discurso no Panamá, Hegseth chegou a chamar essa abordagem de “Doutrina Donroe”, em referência ao sobrenome de Trump.
“Defenderemos nosso hemisfério de ameaças externas”, declarou o secretário de Defesa.
Entre as ameaças citadas por Hegseth estão organizações do narcotráfico e a influência de potências estrangeiras. A definição ampla dos alvos dá ao governo americano margem para ampliar sua atuação militar na região.
Colombia is officially joining the Americas Counter Cartel Coalition (A3C).
I met with Minister of Defense Mora (@mindefensa) in Panama City today as we launched a new chapter in U.S.-Colombia defense cooperation. pic.twitter.com/19Rb4WMMi9
— Secretary of War Pete Hegseth (@SecWar) August 12, 2026
Caribe e Pacífico também estão no foco de Trump
A reunião que selou a entrada da Colômbia no Escudo das Américas ocorreu no Panamá, país que ocupa posição estratégica para o governo Trump por causa do Canal do Panamá.
O governo americano também intensificou operações contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. Segundo o texto original, essas ações já provocaram mais de 200 mortes.
O governo Trump elevou a pressão sobre a Venezuela e Cuba, ampliando sua atuação política, econômica e militar na região.
Com a chegada de um governo alinhado a Washington em Bogotá, os Estados Unidos agora ampliam sua rede de cooperação militar na América do Sul e passam a contar com a Colômbia como um dos principais parceiros de sua nova estratégia de segurança para o continente.