Raimundo Cutrim, apontado pela Polícia Federal como a que abasteceu um comunicador com informações sobre veículos e deslocamentos de Flávio Dino, também é investigado sob suspeita de tentar interferir na apuração do assassinato de um empresário no Maranhão. A nova revelação envolve uma acusação de oferta de propina para afastar políticos do caso.
O homicídio é o de João Bosco Sobrinho, morto em 2022. A investigação chegou ao Supremo em 24 de outubro de 2025 por meio de um habeas corpus apresentado por Gilbson Cutrim, condenado pelo crime. No pedido, ele acusou o ex-secretário e aliados de terem oferecido dinheiro a sua família para que nomes de políticos fossem retirados das acusações relacionadas ao assassinato.
O processo foi sorteado para o gabinete de Flávio Dino. Segundo a apuração de Daniela Lima no UOL, o monitoramento do ministro e de seus familiares no Maranhão começou dias depois. Em novembro, a Secretaria de Segurança do STF comunicou à Polícia Federal a suspeita de acesso irregular a informações sobre os deslocamentos de Dino.
Parte das conversas atribuídas a Raimundo Cutrim teria sido gravada e entregue à PF. A investigação sobre o assassinato chegou a tramitar no Superior Tribunal de Justiça por envolver autoridades com foro, mas foi levada ao Supremo com alegações de vínculos entre integrantes do tribunal e pessoas citadas no grupo político investigado. Essas suspeitas ainda são objeto de apuração.
Outro conjunto de comunicações apareceu em uma investigação distinta, relacionada ao esquema do INSS. O material chegou ao ministro André Mendonça, que identificou possível conexão com o caso do assassinato e compartilhou os documentos com o gabinete de Dino.
Na investigação sobre o monitoramento, conduzida sob relatoria de Alexandre de Moraes, a PF encontrou no WhatsApp do comunicador Luís Pablo conversas com Cutrim. Os investigadores afirmam que o ex-secretário teria usado sua condição de agente público para acessar dados protegidos sobre veículos utilizados por Dino e sua família.
Os episódios colocam Cutrim em investigações que tramitam em três gabinetes do Supremo: a apuração do monitoramento está com Moraes, o caso relacionado ao assassinato de João Bosco está com Dino e documentos provenientes da investigação do INSS passaram pelo gabinete de André Mendonça. A defesa de Cutrim afirma não ter acesso integral aos autos e sustenta que o sigilo da jornalística deve ser preservado. O ex-secretário já cumpre prisão domiciliar no processo relacionado ao homicídio, sob suspeita de coação de testemunhas e obstrução.