O caso Banco Master ganhou uma frente na Argentina. Um de R$ 458,6 milhões concedido à Revee Real Estate foi usado pela empresa como prova de capacidade financeira na disputa por uma concessão em Mar del Plata que agora aparece nas investigações do caso Sur Finanzas, escândalo envolvendo dirigentes e clubes ligados à Associação de Futebol Argentino (AFA).
Segundo documentos obtidos pelo Metrópoles, a cédula de bancário do Master foi traduzida para o espanhol e anexada ao processo que resultou na concessão do Parque Municipal de los Deportes Teodoro Bronzini. A Revee também apresentou uma declaração juramentada segundo a qual US$ 26 milhões, cerca de R$ 148 milhões à época, recebidos do banco estavam reservados para as obras na Argentina.
O complexo inclui o Estádio José María Minella, construído para a Copa do Mundo de 1978 e palco de três partidas da seleção brasileira naquele Mundial, além do ginásio Islas Malvinas. A Revee criou a Minella Stadium SA para participar da concorrência e ficou inicialmente com 87,5% das ações. A empresa foi a única a apresentar proposta e prometeu transformar o estádio em uma arena para 35 mil pessoas.
A documentação do Master entrou no processo depois que a comissão responsável pela licitação pediu novas provas de capacidade financeira. A mesma operação de já havia aparecido no Brasil em documentos relativos à liquidação do banco. Em julho que a Revee recebeu R$ 458,6 milhões e mantinha projetos para reformar o Canindé e construir uma arena no Anhembi, em São Paulo.
A concessão argentina acabou alcançada pelo caso Sur Finanzas, investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, fraude bancária e desvio de recursos em torno da AFA e de dirigentes do futebol local. Eduardo Spinosa, ex-presidente do Banfield e um dos principais personagens da apuração, presidia até julho a Minella Stadium. Mandados de busca também foram cumpridos em prédios públicos de Mar del Plata atrás de documentos relacionados à concessão.
Uma associação civil que acionou a Justiça argentina pediu no fim de julho que o Ministério Público de delitos econômicos de Mar del Plata solicite cooperação judicial ao Brasil diante do cruzamento das investigações. Os procuradores ainda não haviam respondido ao pedido, segundo o Metrópoles. A apuração brasileira envolve a Operação Carbono Oculto e transações consideradas suspeitas relacionadas ao Master e a empresas próximas à antiga Reag.
A Revee afirmou que deixou a sociedade responsável pela concessão argentina há cerca de dois meses e que cumpriu suas obrigações enquanto esteve no projeto. A empresa também declarou não integrar o Grupo Sur Finanzas nem manter vínculo societário ou operacional com ele. Sobre o do Master, a Revee já havia informado que o contrato foi integralmente liquidado em setembro de 2025.