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Uefa, Concacaf e Ásia discutem torneios próprios em boicote à Fifa e Infantino

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Uefa, Concacaf e Ásia discutem torneios próprios em boicote à Fifa e Infantino

Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) iniciaram conversas preliminares sobre a possibilidade de organizar competições entre si caso decidam boicotar eventos promovidos pela Fifa.

As três confederações, que juntas representam mais da metade das associações filiadas à Fifa, intensificaram a pressão pela saída do presidente Gianni Infantino. O grupo acusa o dirigente de abandonar suas responsabilidades com o futebol mundial e de romper a confiança das entidades por meio de práticas consideradas enganosas.

A expectativa das confederações é que Infantino renuncie ao cargo em vez de tentar conquistar um terceiro mandato completo à frente da entidade máxima do futebol.

O conflito ganhou força após a tentativa de Infantino de negociar a venda de uma participação nos direitos da Copa do Mundo a investidores privados. Uefa, Concacaf e AFC exigiram uma investigação independente sobre o episódio e afirmaram, em uma carta aberta, que a integridade do futebol está em jogo.

Os presidentes Aleksander Ceferin, da Uefa, Victor Montagliani, da Concacaf, e Salman Bin Ibrahim Al Khalifa, da AFC, assinaram o documento.

Segundo as entidades, a Fifa não pode conduzir sozinha uma investigação sobre seus próprios atos. Elas criticaram a resposta apresentada pela organização, que reconheceu erros no processo, mas classificou o problema como uma falha de comunicação.

Para as confederações, o episódio revela uma falha de julgamento muito mais grave. A proposta teria sido apresentada em um prazo reduzido, sem consultas adequadas às associações-membro e com pressão para uma decisão antes que os integrantes pudessem analisar devidamente os termos.

As entidades também questionaram uma reunião realizada no Marrocos, na qual apenas um dirigente eleito teria participado. De acordo com a carta, nenhum integrante do Conselho da Fifa ou representante das associações-membro foi convidado. O encontro contou apenas com integrantes da administração da entidade, formada por funcionários de alto escalão da própria Fifa.

An open letter to the football family from AFC, CONCACAF and UEFA: ⬇️https://t.co/8sjedkOyJA pic.twitter.com/OvskyoggYv

— UEFA (@UEFA) August 10, 2026

Na avaliação de Uefa, Concacaf e AFC, o episódio reforça um padrão de concentração de poder e falta de transparência na gestão de Infantino.

“As lideranças no futebol não são uma propriedade. Não se trata de deter — ou exigir — poder. É um dever de serviço à família do futebol que lhes confiou essa autoridade”, afirmaram as três confederações.

O documento também sustenta que a tentativa de negociar uma participação na Copa do Mundo representou um erro de julgamento profundo, e não apenas uma falha de procedimento.

“Quando a confiança é quebrada por meio de engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, escreveram os dirigentes.

As entidades ressaltaram ainda que o futebol “pertence a todos” e não a uma pessoa ou instituição específica.

Apesar da pressão, Infantino mantém apoio de importantes federações. Argentina, Marrocos e México estão entre as associações que manifestaram respaldo ao presidente da Fifa. A Confederação Africana de Futebol também declarou apoio unânime ao dirigente.

Em comunicado divulgado no sábado, a Fifa afirmou que existe “um esforço coordenado e contínuo” de alguns setores para enfraquecer a entidade e seu presidente.

O impasse abre uma das maiores crises políticas da história recente da Fifa e pode levar a uma reorganização inédita do futebol internacional, caso Uefa, Concacaf e AFC avancem na criação de competições independentes da entidade comandada por Infantino.

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