O ex-presidente argentino Alberto Fernández afirmou que os ataques de Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a convenção nacional do PL, representam um “risco” para a relação entre Brasil e Argentina. Ele classificou a visita do atual presidente argentino ao país como “um ato vergonhoso para todos os argentinos” e o chamou de “energúmeno”.
Fernández disse que Milei insultou Lula e pediu liberdade para Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. “Milei, com sua irresponsabilidade, não apenas colocou em risco as relações da Argentina com o Brasil, descumprindo o mandato constitucional que possui, como também demonstrou seu profundo desprezo pela democracia e pelo Estado de Direito”, afirmou.
O ex-presidente pediu que o governo brasileiro releve as declarações do argentino. “O vínculo entre nossos países deve ser indissolúvel e transcende as declarações de um presidente psiquicamente desequilibrado”, declarou Fernández.
No sábado, Milei discursou na convenção do PL, criticou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e afirmou confiar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para “evitar o socialismo”. Moraes havia proibido o presidente argentino de visitar Jair Bolsonaro.
“Ladrón”, “presidiario” y “basura”. Todo eso dijo Milei sobre Lula en un acto partidario por Flavio Bolsonaro.
Insulta como militante, pero compromete al país como presidente.
El costo de sus provocaciones no lo paga Milei, lo paga la Argentina. pic.twitter.com/E4Hux9vwJT— César Biondini (@BiondiniCesar) July 25, 2026
Fernández rebate comparação com visita a Lula em 2019
Durante o evento, Milei atacou Moraes por impedir sua visita a Bolsonaro e comparou a situação com encontros de Lula com líderes estrangeiros quando estava preso em Curitiba. O argentino também chamou Fernández de “nefasto” ao citar a visita que ele fez ao petista em julho de 2019.
Fernández respondeu que integrava um comitê internacional que defendia a liberdade de Lula e ressaltou que não participou de ato político após o encontro na sede da Polícia Federal. Na época, ele era candidato à Presidência argentina e venceria a eleição em outubro daquele ano.
“Jamais desrespeitei Jair Bolsonaro, que na época era o presidente do Brasil, embora tenha recebido dele todo tipo de ofensas pessoais”, disse o ex-presidente. Ele acrescentou que a relação bilateral precisa permanecer acima das disputas entre governos.
Fernández afirmou ter conversado com o ex-chanceler Celso Amorim para transmitir sua “preocupação e mal-estar” com o episódio. Ele também associou Milei a um “conglomerado político internacional liderado por Donald Trump” e disse que a “imensa maioria dos argentinos” sentiu vergonha da conduta do atual presidente.