A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência decidiu criar um núcleo voltado ao eleitorado evangélico após identificar preocupação com o avanço de Lula (PT) nesse segmento. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da articulação, determinou a montagem da frente específica.
A medida também responde a críticas internas sobre a centralização das articulações políticas da pré-campanha. Marinho passou a distribuir tarefas entre diferentes grupos para ampliar a presença da candidatura em segmentos considerados estratégicos.
O novo núcleo deve reunir cerca de seis lideranças religiosas sem mandato político e com capilaridade nacional. A coordenação quer que esses nomes atuem no contato direto com pastores e fiéis de diferentes regiões do país.
O plano prevê a presença frequente dessas lideranças no QG de Flávio Bolsonaro e a manutenção de conversas com a base evangélica. A estratégia busca disputar espaço com as iniciativas de Lula direcionadas ao segmento.
Quaest apontou redução da vantagem sobre Lula
Em outra frente, Flávio Bolsonaro pretende pedir ao pastor Silas Malafaia a organização de um encontro com líderes de diferentes igrejas. O objetivo é obter uma demonstração pública de apoio à candidatura ao Palácio do Planalto.
Malafaia organizou mobilização semelhante em favor de Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. A campanha trabalha para realizar o novo evento nas próximas semanas, diante da avaliação de que precisa interromper a perda de vantagem entre os evangélicos.
A pesquisa Quaest mais recente indicou que Flávio Bolsonaro ainda lidera Lula nas intenções de voto do eleitorado evangélico, mas a diferença diminuiu. A margem, que chegava a 37 pontos em maio, caiu para 22 pontos no levantamento deste mês.
Lideranças religiosas alinhadas a Flávio Bolsonaro relatam pessimismo após conversas com suas bases em igrejas e templos. Elas apontam dúvidas sobre a efetividade da candidatura e avaliam que o nível de mobilização atual difere do observado em 2022, quando Jair Bolsonaro enfrentou Lula.