O presidente da Argentina, Javier Milei, publicou 44 conteúdos com ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desde a convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto. O volume de postagens cresceu após a participação do argentino no ato partidário, realizado no último sábado.
A média foi de quase 15 publicações por dia com esse teor. Na semana anterior à convenção, Milei havia compartilhado somente um conteúdo semelhante, em contraste com a nova ofensiva contra autoridades brasileiras.
Usuário frequente do X, onde acumula quase 390 mil posts, Milei recorre principalmente a republicações de materiais feitos por terceiros. Esse formato também predominou entre os conteúdos dirigidos a Lula.
Entre as mensagens compartilhadas, houve publicações que responsabilizam o Brasil por uma suposta campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo. Milei já havia apresentado essa versão no discurso durante a convenção do PL, sem expor provas.
Aqui está um claro exemplo de como Milei não mentiu quando disse que o Brasil financia uma campanha internacional anti-Argentina!
No vídeo Milei fala sobre direitos de propriedade e cita um exemplo hipotético do valor da água de um rio de acordo com sua abundância ou escassez. https://t.co/qeflSvLCOS
— Maria Laura Assis (@MLauraAssis) July 28, 2026
Milei repercutiu fala de condenado pelos atos golpistas de 8 de Janeiro
Na terça-feira (28), o presidente argentino republicou a entrevista de Wellington Luiz Firmino, condenado por participação nos atos golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro. Firmino cumpre prisão domiciliar na Argentina após fugir do Brasil e afirmou, na conversa com um canal local no YouTube, ser alvo de “perseguição” de uma suposta “ditadura” brasileira.
Milei também endossou uma postagem de um influenciador argentino que dizia que chamar Lula de ladrão “não é motivo de ofensa, é só chamar as coisas pelo nome”. A mensagem fazia referência às condenações do presidente na Lava-Jato, que o STF anulou.
O episódio teve recepção predominantemente negativa nas redes brasileiras. Levantamento da Ativaweb DataLab analisou 158 mil menções à presença de Milei na convenção entre sábado e segunda-feira e identificou 84,3% de manifestações de reprovação, ante 5,2% de apoio. “Ingerência”, “irresponsabilidade” e “desrespeito ao Brasil” estiveram entre os termos mais associados às críticas.
“Milei veio ao Brasil para fortalecer um palanque, mas terminou fortalecendo a rejeição ao próprio nome. Ele conquistou atenção, não aprovação”, afirmou Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab. O presidenciável Ronaldo Caiado (União-GO) também criticou a postura do argentino e disse ao Correio Braziliense: “O outro vem aqui e faz escândalo e de repente se acha no direito de xingar o presidente, xingar ministro”.