O governo federal decidiu prorrogar a atual edição do Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas bancárias de pessoas físicas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (28) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que confirmou a extensão do prazo até 31 de agosto, data em que termina a vigência da medida provisória que criou o programa.
Inicialmente, o Desenrola 2.0 seria encerrado em 3 de agosto. Segundo o ministro, a decisão de ampliar o prazo também atendeu a um pedido das instituições financeiras, que identificaram uma demanda maior pela renegociação de débitos.
Programa segue sem mudanças nas regras
Durante o anúncio, Dario Durigan afirmou que a prorrogação não exigirá novos aportes no Fundo Garantidor de Operações (FGO), responsável por cobrir eventuais inadimplências, nem haverá alterações nas regras já estabelecidas.
O ministro explicou ainda que o prazo adicional permitirá que consumidores regularizem suas pendências financeiras antes de buscar em outros programas do governo, como os destinados ao financiamento de motos e automóveis.
“Esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para que as pessoas que hoje estão tendo de acessar os programas de moto, carro, para trocar a sua moto, o seu carro, possam resolver eventuais pendências previamente, que é usar o Desenrola, para depois se enquadrar nas condições para as operações de carro e moto e também poderem fazer jus a essas obrigações”, afirmou Dario Durigan.
Segundo o ministro, a expectativa é que, com mais um mês de funcionamento, o Desenrola Brasil alcance a marca de 10 milhões de famílias beneficiadas.
Programa já renegociou R$ 22 bilhões
Até o último dia 23 de julho, o programa havia renegociado R$ 22 bilhões em dívidas, distribuídos em 3,6 milhões de operações. Após os descontos concedidos pelas instituições financeiras, o saldo total dessas dívidas foi reduzido para aproximadamente R$ 4 bilhões.
A modalidade contempla dívidas de pessoas físicas relacionadas ao cartão de , cheque especial e pessoal (CDC), contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e dois anos.
Os participantes podem obter descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses.
FGTS ainda é pouco utilizado
O modelo do Desenrola Brasil também permite utilizar parte do saldo do FGTS para amortizar parcialmente ou quitar dívidas. No entanto, essa alternativa ainda registra baixa adesão.
Até o momento, foram realizadas cerca de 110 mil operações, com utilização de aproximadamente R$ 62,2 milhões do Fundo de Garantia.
Além da modalidade voltada às famílias endividadas, o governo também criou versões do programa para consumidores adimplentes e para empresas. Enquanto a iniciativa destinada às pessoas físicas em dia com as contas ainda não decolou, a versão empresarial já renegociou R$ 25 bilhões em dívidas, sendo R$ 23,4 bilhões por meio do Pronampe.