Os gastos de brasileiros em viagens ao exterior alcançaram US$ 12,6 bilhões, cerca de R$ 64,5 bilhões, no primeiro semestre de 2026. O valor é o maior para o período desde o início da série histórica do Banco Central, em 1995.
As despesas cresceram 22,5% em relação aos seis primeiros meses de 2025, quando haviam somado US$ 10,3 bilhões. O resultado também superou o recorde anterior, registrado em 2014, de US$ 12,4 bilhões em valores nominais.
O aumento ocorreu em meio à valorização do real. O dólar acumula queda de 6,76% em 2026 e encerrou esta terça-feira (28) próximo de R$ 5,12. Em maio, a moeda chegou a R$ 4,89, menor cotação desde janeiro de 2024.
A queda do dólar reduz os custos de passagens, hospedagens, alimentação e compras em outros países. O movimento acompanha a recuperação das viagens internacionais: em 2025, o número de passageiros em voos com origem ou destino no Brasil já havia atingido o maior patamar da série da Agência Nacional de Aviação Civil.
Os dados do Banco Central também mostram melhora em outros indicadores das contas externas. O déficit em transações correntes caiu de US$ 5,18 bilhões em junho de 2025 para US$ 2,33 bilhões no mesmo mês deste ano, enquanto o superávit comercial subiu de US$ 5,25 bilhões para US$ 8,83 bilhões.
O investimento direto no Brasil cresceu cerca de 33% no primeiro semestre. Somente em junho, a entrada líquida atingiu US$ 9,07 bilhões, e o Banco Central elevou de US$ 70 bilhões para US$ 75 bilhões sua projeção para o conjunto de 2026.