A Bancada Feminista do PSOL pediu à Justiça Eleitoral a impugnação da candidatura da deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP), sob alegação de falsidade ideológica eleitoral. O pedido questiona as diferentes autodeclarações raciais apresentadas pela parlamentar em disputas eleitorais desde 2020.
Fabiana se declarou branca nas eleições municipais de 2020, parda na eleição federal de 2022 e novamente branca no pleito de 2026. A representação do PSOL sustenta que a alteração configura fraude e prejudica a igualdade de condições entre candidaturas.
Em 2022, a deputada recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinado a candidaturas de pessoas negras, com base na autodeclaração apresentada naquele ano. A bancada também pede que ela devolva o valor.
A defesa informou que Fabiana Bolsonaro ainda não recebeu intimação e afirmou que se manifestará no processo. O advogado Alberto Rollo declarou haver “muita lacração política” no caso e atribuiu aos partidos a responsabilidade pelos registros apresentados à Justiça Eleitoral.
A deputada Fabiana Bolsonaro (PL) usou o blackface, uma prática racist4, para atingir a comunidade trans, fazendo do plenário um palco criminoso para suas ofensas. pic.twitter.com/lAm4yuPxCK
— Claudio Sem Acento (@claudiopedrosa8) March 18, 2026
Deputada também enfrenta questionamentos por ato na Alesp
Em março, Fabiana se tornou alvo de pedidos de cassação e de inquérito no Ministério Público Federal por um episódio no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo. As medidas citam a prática de blackface e falas consideradas transfóbicas durante uma sessão.
Na ocasião, a deputada se pintou com base para peles negras ao protestar contra a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. “Eu tive os privilégios de uma pessoa branca durante toda a minha vida. Agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E agora, virei negra?”, disse.
Fabiana negou ter usado blackface e afirmou que sua manifestação não teve intenção de deboche, mas expressou “reconhecimento e respeito pela luta histórica do povo negro”. Erika Hilton pediu à Justiça Eleitoral a abertura de inquérito policial para investigar a mudança da autodeclaração racial entre 2020 e 2022.
Rollo afirmou que a cliente relatou ter um avô negro e uma avó indígena e questionou se, diante dessa origem familiar, a autodeclaração como parda seria irregular. Em 2020, a candidatura da deputada tramitou pelo Patriota; em 2022, pelo PL.
A Procuradoria Regional Eleitoral do Ministério Público Federal também pediu a impugnação do registro de Fabiana por causa do uso de “Bolsonaro” na urna. O órgão sustenta que o sobrenome pode sugerir parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora a deputada se chame Fabiana de Lima Barroso Souza e não tenha relação familiar com ele.